ANO: 26 | Nº: 6588

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
14/12/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Alegres na esperança

“Existem momentos difíceis, tempos de cruz, mas nada pode destruir a alegria sobrenatural, que ‘se adapta e transforma, mas sempre permanece, pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados’. É uma segurança interior, uma serenidade cheia de esperança que proporciona uma satisfação espiritual incompreensível à luz dos critérios mundanos” (Exortação apostólica do Papa Francisco sobre o chamado à santidade no mundo atual, nº 125).
Estamos no terceiro domingo do Advento, chamado também ‘Gaudete’, ou seja, domingo da alegria. Temos o convite a alegrar-nos, a rejubilar-nos, pois o Senhor está próximo, o Natal se aproxima. A mensagem cristã chama-se “Evangelho”, isto é, “Boa Nova”, um anúncio de alegria para todo o povo. Mas, a alegria do Evangelho não é uma alegria qualquer. Tem a sua razão de ser no saber que se é acolhido e amado por Deus.
O sinal não é para ser admirado ou discutido, mas para ser entendido e seguido. O que interessa não é a placa, mas o que ela indica; não é o milagre ou o seu resultado, mas o que aquilo significa dentro da mensagem de Jesus, os seus apelos para nós. Diante da pergunta dos discípulos de Batista, Jesus fala dos sinais que estão acontecendo (Mt 11, 2-11).
O profeta João Batista, na prisão, ouvindo falar das “obras de Jesus”, manda os seus discípulos perguntar: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?”. Jesus apenas lembra os sinais que estão acontecendo: “Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”.
Certo dia, falando da sua Missão, Jesus disse: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. Para isso é que fui enviado” (Lc 4,43). Assim, o próprio Jesus, “Evangelho de Deus”, foi o primeiro e o maior dos evangelizadores. Como núcleo e centro da sua Boa Nova, ele anuncia a salvação, dom de Deus que é libertação de tudo aquilo que oprime o homem (‘cegueiras’, ‘paralisias’, ‘lepras’, surdez, ‘mortes’, pobrezas e misérias); e que é libertação, sobretudo do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por Ele conhecido. E este anúncio do Reino se dá através da pregação e de vários sinais.
“Ficai firmes até a vinda do Senhor e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5,7-10). Enquanto cristãos, nesta perspectiva da vinda e intervenção do Senhor na história, temos o direito de nos alegrar, mesmo diante dos desafios da vida e missão; temos o dever de manter a esperança, mesmo quando as possibilidades humanas fracassam; porque nossa esperança e certeza não se fundam em nós mesmos, mas Naquele que vem, Jesus, nosso Deus-Salvador.
É neste sentido que o Papa Francisco nos incentiva enquanto cristãos, ao nos dizer: “O Evangelho convida-nos sempre a abraçar o risco do encontro com o rosto do outro, com a sua presença física que interpela, com os seus sofrimentos e suas reivindicações, com a sua alegria contagiosa permanecendo lado a lado. Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização. Não deixemos que nos roubem a esperança” (Alegria do Evangelho, nº 83 e 88).
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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