ANO: 26 | Nº: 9492

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
21/12/2019 José Artur Maruri (Opinião)

Comunhão com Deus

Os escritos que seguem são de autoria do Espírito Humberto de Campos. Quando encarnado, Campos, fora eminente jornalista, ofício que seguiu cumprindo além-túmulo. Através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier fomos brindados com inúmeras obras, entre elas, Boa Nova, da qual foi extraído o seguinte trecho:
"A conversação que vimos de narrar verifica-se nas cercanias de Jerusalém, numa das ausências eventuais do Mestre do círculo bem-amado de sua família espiritual em Cafarnaum.
No dia seguinte, Jesus e João demandaram Jericó, a fim de atender ao programa de viagem organizado pelo primeiro. Na excursão a pé, ambos se entretinham em admirar as poucas belezas do caminho, escassamente favorecido na Natureza. A paisagem era árida e as árvores existentes apresentavam as frondes recurvadas, entremostrando a pobreza da região, que não lhes incentivava o desenvolvimento. Não longe de uma pequena herdade, o Mestre e o Apóstolo encontraram um rude lavrador, cavando grande poço à beira do caminho. Bagas de suor lhe desciam da fronte; mas seus braços fortes iam e vinham à terra, na ânsia de procurar o líquido precioso.
Ante aquele quadro, Jesus estacionou com o discípulo, a pretexto de breve descanso, e, revelando o interesse que aquele esforço lhe despertava, perguntou ao trabalhador:
- Amigo, que fazes?
- Busco a água que nos fala – redarguiu com um sorriso o interpelado.
- A chuva é assim tão escassa nestas paragens? – tornou Jesus, evidenciando afetuoso cuidado.
- Sim, nas proximidades de Jericó, ultimamente, a chuva se vem tornando uma verdadeira graça de Deus.
O homem do campo prosseguiu no seu trabalho exaustivo, mas, apontando para ele, o Messias disse a João em tom amigo:
- Este quadro da Natureza é bastante singelo; porém, é na simplicidade que encontramos os símbolos mais puros. Observem que este homem compreende que sem a chuva não haveria mananciais na Terra, mas não para em seu esforço, procurando o reservatório que a Providência Divina armazenou no subsolo. A imagem é pálida; todavia, chega para compreendermos como Deus reside também em nós. Dentro do símbolo, temos de entender a chuva como o favor de sua misericórdia, sem o qual nada possuiríamos. Esta paisagem deserta de Jericó pode representar a alma humana, vazia de sentimentos santificadores. Este trabalhador simboliza o cristão ativo, cavando junto dos caminhos áridos, muitas vezes com sacrifício, suor e lágrimas, para encontrar a Luz Divina em seu coração. E a água é o símbolo mais perfeito da essência de Deus, que tanto está nos céus, como na Terra.
O discípulo guardou aquelas palavras, sabendo que realizara uma aquisição de claridades imorredouras. Contemplou o grande poço, onde a água clara começava a surgir, depois de imenso esforço do humilde trabalhador que a procurava desde muitos dias, e teve nítida compreensão do que constituía a necessária comunhão com Deus. Experimentando indefinível júbilo no coração, tomou das mãos do Messias e as osculou, com a alegria do seu espírito alvoroçado. Confortado, como alguém que vencera grande combate íntimo, João sentiu que finalmente compreendera".

(Referências: CAMPOS, Humberto de (Espírito). Boa Nova. Pelo Espírito Humberto de Campos psicografado por Francisco Cândido Xavier. – 37 ed. – 13. Imp. – Brasília: FEB, 2019. p. 124-126)

José Artur M. Maruri dos Santos
Colaborador da S. Espírita León Denis e União Espírita Bajeense
josearturmaruri@hotmail.com

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