ANO: 26 | Nº: 6543

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
21/12/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Natal: renovemos a alegria de viver


"Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não volte aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição" (São Leão Magno, séc. V).
"Nasceu para vós um Salvador" (Lc 2,11). Jesus não nasceu somente para Maria e José; nasceu para nós; nasceu, sobretudo, para os pecadores, para as pessoas que se sentem perdidas, ou que são julgadas pelos outros como tais; Jesus nasceu para aqueles que não enxergam nenhuma chance de salvação. Justamente, por isso, Ele dirá na casa de Zaqueu que veio ao mundo para procurar e salvar o que estava perdido (Lc 10,19). Neste sentido, ao proclamarmos que o Filho de Deus se fez pessoa humana, devemos também afirmar e testemunhar que nenhum ser humano está abandonado a si mesmo; ninguém está sozinho em sua solidão, porque Jesus é "Deus conosco".
Natal é a festa da encarnação: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). O Filho de Deus se fez pessoa humana; experimentou em seu próprio corpo tudo o que experimentamos: fome, dor, tristeza, ameaça, desejo, tentação, necessidade, carência. Porém, Ele experimentou tudo isso em favor de cada um de nós, pois sabia que somente aquilo que é assumido, pode ser redimido, como nos dizia São Gregório de Nissa.
O Natal é a manifestação da força de Deus na fraqueza humana. O Natal é a celebração da graça de Deus 'que se manifestou trazendo a salvação a todas as pessoas' (Tt 2,11). Assim, compreendemos e assumimos que o Natal, embora seja celebrado como festa para os cristãos, é, na verdade, uma festa que deveria ser celebrada por todas as pessoas, pois Jesus nasceu como Salvador de todo ser humano e não somente dos cristãos, não somente dos que nele creem.
O Papa Francisco, refletindo sobre o Natal, nos diz: "O Natal de Jesus é a festa da confiança e da esperança, pois Deus está ao nosso lado, Ele ainda confia em nós. Ele vem habitar com os homens, escolhe a terra como a sua morada para estar ao lado de nós e para se encontrar lá onde o homem transcorre os seus dias na alegria e na dor. O nascimento de Jesus traz-nos a bonita notícia de que somos amados imensamente por Deus e de que Ele não só nos faz conhecer este amor, mas também o concede a nós".
Poderíamos dizer que anunciar e celebrar o Natal diante da realidade de hoje, significa: acolher na fé a salvação trazida no Natal, o menino salvador como dom imerecido do Pai; acolher o Emanuel como presença permanente de Deus entre nós 'até os fins dos tempos' (Mt 28,20), e comprometer-se a reconhecer as diversas formas de presença entre nós (Mt 25, 34-40); assumir o realismo da encarnação para que, como filhos de Deus, santifiquemos as realidades da família, do trabalho, da vida comunitária, social e toda a criação, como nossa casa comum; e também assumindo uma atitude de pobreza, fazendo-nos pequenos e rejeitando toda a tentação de construir a vida pessoal e comunitária sob o signo do poder, da riqueza e da autossuficiência.
Renovemos a alegria de viver. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana, um Feliz Natal a todos e até uma próxima oportunidade!

 

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