ANO: 25 | Nº: 6486

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
27/12/2019 João L. Roschildt (Opinião)

A política do Natal

Entre os eruditos pós-modernos, qualquer encontro social é um palanque político. Como em um “showmício”, transformam suas amarguras e tristezas pessoais em discursos que buscam promover a falsa alegria da fé na política. Ultrapassados, desconsideram qualquer separação entre espaço público e privado: suas vidas particulares são terrenos fertilizados por causas coletivas.

Estes seres submissos aos seus vilões, atuam como “minions” em cada ocasião da vida. Não poupam festividades, datas sagradas, churrascos de confraternização ou qualquer tipo de cerimônia que oferte significado mais profundo na vida dos indivíduos. Sempre prontos para atazanar alguém, escolhem a dedo seus antagonistas e passam a desferir seus rancores com indiretas políticas que estão na moda, no intuito de criar alguma grande polêmica. Sem limites morais, suas vidas são limitadas pela vida política alheia.

Há pouco mais de uma semana, no Programa Roda Viva, o “filósofo” Leandro Karnal não sucumbiu a essa realidade. Encarnando um verdadeiro filósofo, ele agiu com maestria diante desse problema contemporâneo. Ao ser indagado pela escritora progressista Tati Bernardi (juro por Deus... quem? Outro problema de nossa época: o grande número de “escritores” irrelevantes que se intitulam escritores), Karnal, famoso “stormtrooper” que erra sempre seus tiros, acertou uma paulada desnorteante na cachola irracional de Tati. Em determinado momento, ela, fazendo pose de intelectual, resolveu introduzir o tema do perdão para ser feliz. Nesse instante, Tati diz que no Natal terá de perdoar muita gente, pois metade de sua família votou no Bolsonaro, pedindo dicas para (inclusive, pasmem!) perdoar seu pai por ter votado no atual presidente da República. Karnal, com muita tranquilidade, afirmou que talvez o pai de Tati estivesse buscando razões para perdoá-la por tê-lo exposto de forma pública, ou talvez por ter votado em outro candidato, completando “que se vocês vão se encontrar para o Natal, Bolsonaro não é o melhor tema em família. E se não há um outro tema, a culpa não é da política. Não é a política que está provocando este enfrentamento”. Sepulcral, “lacrador” e silenciador. Karnal nunca foi tão digno de aplausos como neste momento.

A mimada Tati não deve ter compreendido o que foi dito. Sua bolha progressista destruidora das tradições religiosas, lhe impede o uso da razão. No auge de seus 40 anos, a adolescência ainda não saiu de sua mente. Ela, que já escreveu em seu Twitter que “quem não está enojado e deprimido” com Bolsonaro “tem problema sério de caráter”, nunca conseguirá refletir sobre a realidade que a circunda. Como progressista, herdeira umbilical de Marx e dos marxismos, não deveria estar preocupada com o Natal, afinal, esta é mais uma “data” opressora cristã. Antes de estragar momentos, deveria se preocupar em redimir-se com aqueles que toleram suas sandices e criancices.

Mesmo com esta sábia lição natalina, nossa sociedade está fadada a conviver com tais fissuras morais que desalojam e desagregam familiares. Reflexo da contínua descrença espiritual, do relativismo, dos coletivismos e do individualismo, nossa época carrega uma pesada cruz. Como diria o notável Chesterton, “o Natal não se encaixa no mundo moderno. Ele pressupõe a possibilidade de que as famílias estejam unidas”.

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