ANO: 26 | Nº: 6590

Fernando Risch

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Escritor
27/12/2019 Fernando Risch (Opinião)

Não sei que dia é hoje

É muito provável que não seja só eu. Acordei numa segunda-feira, no caso ontem, e me alertaram que era quinta. Demorei a assimilar. Eu havia dormido em um domingo de Natal e me levaram direto para o final de semana. Hoje, para mim é terça, mas já me mandaram sextar, como dizem os jovens.

Acho que perdi o fôlego da juventude, mesmo recém-chegado nos trinta. Mas eu me esforço, com ardor, para manter-me firme nas festividades de fim de ano. Bebo uma água aqui, outra lá. Dou espaço para cada nova cerveja. Vez ou outra preciso de um Omeprazol ou uma magnésia bisurada para aliviar tensões.

Antigamente era mais fácil, há oito ou nove anos. Eu só agia. Impulso atrás de impulso, ação atrás de ação, e quando menos esperava, era dia e eu me encontrava dormindo embaixo de um coqueiro na beira de uma piscina, usando um chapéu de Papai Noel. Olhava ao relógio e eram onze da manhã.

Hoje, saio de casa com uma caderneta, com toda estratégia de sobrevivência para a noite em questão: 22h, comer; 22h34, beber uma cerveja; 22h40, beber dois litros de água; 23h, respirar fundo e checar se a bexiga não quer ir ao banheiro. E assim vou levando. Calculo as horas passadas do show que assisto e fico tentando concatenar o horário do nascer do Sol, para que eu possa, aliviado, dizer que tive uma noite bem aproveitada.

Talvez eu esteja ficando velho. Talvez você também esteja. O que eu posso fazer? A idade chega. A física e a mental. A física fez trinta; a mental já passou dos 150 há muito tempo.

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