ANO: 25 | Nº: 6487

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
04/01/2020 Airton Gusmão (Opinião)

A Paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica

Iniciamos um novo ano e queremos vivê-lo sob as bênçãos de Deus, fazendo o nosso dever de construir a civilização do amor, com o respeito a todas as criaturas, cuidando da vida e da casa comum, em suas diversas manifestações; assumindo o nosso compromisso de sermos instrumentos da verdadeira paz.
No dia 1º de janeiro celebramos o Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco escreveu a sua mensagem para este dia, intitulada: “A Paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”. Trazemos presente alguns trechos desta mensagem para que ela repercuta em nossa vida e em toda a sociedade.
A Mensagem inicia afirmando que “a paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança e que por ela aspira toda a humanidade, sendo a esperança a virtude que nos coloca a caminho, dá asas para continuar, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis”.
Contextualizando o mundo atual beligerante, ele nos diz que: “há nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias da exploração e corrupção que alimentam ódios e violências”; constatando que na realidade hoje “a muitos homens e mulheres, crianças e idosos, se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade, incluindo a religiosa, a solidariedade comunitária, a esperança no futuro”. Afirmando ainda que “toda a guerra se revela um fratricídio que destrói o próprio projeto de fraternidade inscrito na vocação da família humana”.
O texto apresenta algumas perguntas: “Como construir um caminho de paz e mútuo reconhecimento? Como romper a lógica mórbida da ameaça e do medo? Como quebrar a dinâmica de desconfiança atualmente prevalecente?”. Como resposta, lemos que “devemos procurar uma fraternidade real, baseada na origem comum de Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está profundamente inscrito no coração do homem e não devemos resignar-nos com nada de menos”.
Falando sobre o processo de construção da paz, como exigência pessoal e social, a mensagem lembra que “é preciso, antes de mais nada, fazer apelo à consciência moral e à vontade pessoal e política”, pois, “a paz alcança-se no mais fundo do coração humano, e a vontade política deve ser incessantemente revigorada para abrir novos processos que reconciliem e unam pessoas e comunidades”.
Neste apelo para a responsabilidade de todos, da necessidade do diálogo, o Papa recorda que “o mundo precisa de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo, sem exclusões nem manipulações; e que só se pode chegar verdadeiramente à paz quando houver um convicto diálogo de homens e mulheres que buscam a verdade mais além das ideologias e das diferentes opiniões”. Ainda aponta para a importância da reconciliação neste processo de construção da paz: “É preciso abandonar o desejo de dominar os outros e aprender a olhar-se mutuamente como pessoas, como filhos de Deus, como irmãos; procurando encontrar no mais fundo do nosso coração a força do perdão, pois este aumenta a nossa capacidade de nos tornarmos mulheres e homens de paz”.
A mensagem conclui dizendo que, diante da realidade do abuso à natureza, o domínio despótico do ser humano sobre a criação, as guerras, a injustiça e a violência, precisamos duma conversão ecológica, “entendida de maneira integral, como uma transformação das relações que mantemos com as nossas irmãs e irmãos, com os outros seres vivos, com a criação na sua riquíssima variedade, com o Criador que é origem de toda a vida”.
O texto em suas últimas palavras afirma: “O caminho da reconciliação requer paciência e confiança. Não se obtém a paz, se não a esperamos. Trata-se de acreditar na possibilidade da paz, de crer que o outro tem a mesma necessidade de paz que nós, indo além dos nossos temores humanos, reconhecendo-nos filhos necessitados diante d’Aquele que nos ama e espera por nós, como o Pai do filho pródigo (Lc 15,11-24)”.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Lembramos e convidamos para a Novena e Festa de São Sebastião que terá início no dia 11, às 20 horas, na Catedral e, no dia 20, às 20 horas, a Procissão desde a Igreja Nossa Senhora da Conceição, seguida de Missa solene presidida pelo nosso Bispo Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco. Um bom início de ano e final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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