ANO: 25 | Nº: 6490

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
04/01/2020 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Guarany, 1969: o campeonato (quase) esquecido

Termina o ano e não cumpri o que havia proposto. Uma festiva comemoração dos cinquenta anos do então retorno do Guarany F.C. ao grupo principal do futebol gaúcho. Já faleceram Edgar Pereira Pinto e Aracely dos Santos Menezes que foram parceiros exemplares. Também o patrono Antonio Magalhães Rossel. Restam Bolívar Severo e eu do núcleo diretivo. E dona Nedy, Carlinhos. Joaquim Pedro, Jacinto Ferrer, Danilo Nigris da Silva, Sérgio Cabral, Rubilar, Renato Pereira, Rubem Godoy, Álvaro Cardona, Raul Calvete e tantos outros não estão neste plano. E jogadores, como o Ismael Moreira, Nilson, Carlinhos e Osmar Fróes, talvez outros de que não lembre e serei corrigido. Por eles faço essa memória. Contando os antecedentes que desembocaram em dezembro de 1969.
Escrevo sobre a década de sessenta, que foi muito significativa. Primeiro, foram os anos em que o clube teve talvez o maior desempenho no campeonato gaúcho. A dupla Grenal tremia. Apenas a parcialidade de juízes argentinos castrou posição de destaque. Em março de 1962 o Guarany empata em 2x2 na Estrela D'Alva, mantendo histórica invencibilidade ante o colorado porto-alegrense em seu estádio. Naguinho Previtali era o treinador. E o alvirrubro vencia até quase o final, quando acontece o empate. Os gols foram de Ivo Medeiros e Max Ravazza. Em setembro, nos Eucaliptos, novo empate: um a um; e, como sempre, Max fez o seu, depois de passe de Saul Mujica. Apita o argentino Teodoro Nitti, que contra o Grêmio, mais tarde, terá ação calamitosa. Lembram-se deste time? Eden, Saul Mujica, Solis Rodrigues, Augusto e Sérgio Cabral, Storniol, Tupãzinho e Ênio Chaves, Ivo Medeiros, Max e João Borges. Ainda naquele ano, outra refrega em novembro. Desta vez a vitória por 2 x 0. Atuação espetacular. Aos 35 minutos do primeiro tempo triangulam Max, Ênio Chaves e Ivo Medeiros. Max é lançado, dribla Cláudio e também Gainete. Aos 44 minutos, outra jogada espetacular de Max encerra o marcador. Tudo no primeiro tempo, perante público recorde, na época.
Outro ano relevante acontece na gestão de Darso Charão Moraes, então gerente da Caixa Estadual. Tempo marcado pelos jogos com grandes times brasileiros que aqui vinham, Palmeiras, Flamengo, Botafogo, América, entre outros. O Guarany adquire área nos subúrbios para ambicioso projeto de um Parque Esportivo, clube social, piscinas, churrascaria, campos de treino. A campanha teve grande apelo promocional e captação de títulos de propriedade. Infelizmente a gestão termina em crise, dívidas, problemas com a equipe. A presidência se afasta e a administração passa ao patrono, acompanhado de Olmes Leguísamo e Nilceu Conde. Que buscam o equilíbrio financeiro, medidas de enxugamento das despesas, apertar os cintos. Assim mesmo, o Guarany até 1968 procura formar bons times, até sucumbir em 1968. Outros jogos a recordar acontecem neste espaço.
Em 1964 o Guarany sofre derrota de 4x1 para o Internacional na Estela Dalva e a mídia anuncia o fim do tabu entre os clubes, pois lá, como dito, o alvirrubro estava invicto frente ao Internacional. Mas em 1967 ganha e bem do colorado, favorecendo o hexacampeonato do Grêmio. Um a zero, com outro grande público. Narro o lance. Gilberto Andrade passa para Pedro Celso que lança Abílio. Que entrando pela esquerda, dribla Elton, depois Scala e fulmina Gainete, então já atleta do colorado. Que timaço: Henrique, Mano (Wilmar), Wilmar (depois Aécio), Pedro Celso e Zé Roberto. Amarante e Jara. Aécio, Abílio, Saulzinho e Gilberto Andrade. Jogo com muitas contusões e adaptações na equipe. Mas inesquecível.
Desembarco em 1968. A crise continua. Solis Rodrigues era o treinador. O campeonato estadual começaria em 05 de fevereiro. O Guarany enfrentaria o Aimoré e três dias depois ao Internacional. A presidência continua com o seu Toneca e se aguarda uma próxima assembleia dos conselheiros. O Guarany perde para o Aimoré e para chegar ao segundo turno precisava ganhar do Internacional, e esse aspira interromper a trajetória de mais um certame conquistado pelos gremistas. Mas perde por 3x1, com Henrique, Celmar, Pedro Celso, Wilmar e Zé Roberto. Jara e Amarante. Eurico (depois Luis Augusto) Saulzinho, Abílio e Gilberto Andrade. O Inter tinha, além de Gainete e Scala também Sady, Elton, Dorinho, Bráulio e Caudiomiro.
Em marco a crise se agrava. Três meses de salários atrasados, apesar dos esforços de Hélio Muza. Seu Toneca estava doente. Imagina-se fazer uma campanha publicitária salvadora. Sai Solis Rodrigues e vem Ataíde Tarouco, que também não resiste O Guarany viaja para a segunda divisão, vai disputar o Ascenso. O patrono escolhe Danilo Nigris da Silva, que trabalhava na base, para organizar nova equipe ante a dispensa de vários jogadores. Aproveitar jovens na companhia de cascudos, mais experientes. Em junho sai convocação dos conselheiros. Que se reúnem no Clube Recreativo Brasileiro. Fala-se em Jose Pinto Dallé, Aracely dos Santos Menezes, Bolívar Ruiz Severo e Antônio Karam para presidente. Comentava-se também o nome deste articulista, curiosamente apoiado por muitos dos candidatos referidos. Que, no fim, é escolhido. Para a difícil missão de "promover a reorganização financeira e moral" do clube segundo dizia o jornal. E de levar o Guarany, de novo, ao cenário dos grandes clubes gaúchos (cont.).
Fontes: documentos do acervo do articulista.

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