ANO: 25 | Nº: 6436
13/01/2020 Cidade

Marca que mantém produção em Bagé e Lavras do Sul vai participar da Semana da Moda de Milão

Foto: Divulgação

Peças integram a coleção
Peças integram a coleção

A marca de acessórios Dona Rufina, criada há pouco mais três anos, pela designer Luciana Bulcão, vai participar da Semana de Moda de Milão, em fevereiro. A grife nasceu da união da cultura do Pampa Gaúcho com o olhar para o mundo e resgata a técnica da feltragem da lã, característica da região, com o reaproveitamento do couro para criar bolsas e sapatos únicos.
Conforme a Luciana, a produção é realizada em Bagé e Lavras do Sul, região onde conheceu as artesãs que realizavam o processo durante sua pesquisa de mestrado sobre Moda e Território. "A lã estava perdendo seu valor como matéria-prima. As mulheres mais jovens já não tinham o mesmo interesse que suas avós, por exemplo, no processo", avalia.
O convite para a Semana de Moda de Milão, na Itália, surgiu após a participação da marca na Brasil Eco Fashion Week, em novembro, chamando a atenção do projeto Emerging Talents Milan (Novos Talentos). “O evento apresenta as coleções das maiores grifes internacionais de moda, a qual reúne inúmeras pessoas de diversas partes do mundo ligadas ao setor, que vão em busca de tendências de moda e oportunidades de negócios internacionais”, informa.
A designer destaca que, neste ano, a Semana de Milão conta com o Emerging Talents Milan, um evento destinado a “novos talentos” possíveis de serem lançados no mercado internacional. “Para participar, primeiramente é preciso ser convidado pela exigente curadoria, pois as marcas escolhidas estarão figurando entre as maiores e mais famosas marcas internacionais de moda”, enfatiza.
A Dona Rufina foi convidada a fazer parte deste evento, e, com isto, Luciana viu uma excelente oportunidade de voltar os olhos do mundo fashion para a lã gaúcha, que, segundo eles (na carta convite), foi uma das coisas que chamou a atenção: A matéria prima, a lã, utilizada de uma forma tão inusitada e inovadora.


Dimensão social
Além da idealização da marca, Luciana criou um projeto social para ajudar as mulheres da região a aprenderem o ofício. “A Dona Rufina tem como objetivo fomentar a economia local e criar oportunidades para as artesãs do Pampa que, com o seus fazeres manuais, produzem os feltros utilizados nos produtos”, informa.


Financiamento
A designer realizou uma campanha para custear a viagem e levar as peças para Milão. Ela conta que o prazo do financiamento coletivo feito na Internet já se esgotou. Mas muita gente segue perguntando como ajudar, pois não estava atento às redes sociais no recesso de final de ano. “Achamos por bem encontrar outras alternativas para que as doações prossigam. Para colaborar, a pessoa pode entrar em contato através do Instagram da marca, que passamos os dados para depósito”, disse.


Técnica
A feltragem é uma das técnicas mais antigas para a confecção de tecidos. Suas origens datam de 600 a.C. em áreas da Ásia e da África. O processo é realizado a partir da lã de ovelhas, que é trabalhada até se tornar o feltro. No Rio Grande do Sul, essa técnica tornou-se uma das marcas da cultura local.


Venda
Em Bagé, as peças podem ser encontradas na @bandolojacolab, situada na General Osório, nº738, e, em Porto Alegre, na @alojacolab, na Rua Lucas de Oliveira, Nº 265.

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