ANO: 26 | Nº: 6542

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
18/01/2020 Airton Gusmão (Opinião)

A exemplo de João Batista: testemunhas de Jesus Cristo

Muitas vezes já ouvimos ou lemos esta importante afirmação do Papa Francisco, falando sobre o sentido da nossa vida: “Cada um de nós, com sua existência única, é uma missão, ou seja, nossa vida tem uma palavra única de Deus a ser comunicada a toda a humanidade”.
Deus tem um projeto de vida plena para a humanidade e, para isto, quis e quer a participação e colaboração de todos nós. Por isso, Ele sempre nos chama, nos desafia para um agir concreto, para sermos hoje suas testemunhas. É aquilo que dizemos quando utilizamos a palavra vocação, no sentido amplo.
Temos o grande desafio de estarmos abertos ao que Deus quer e espera de nós. Mesmo diante de nossas resistências e tentação de nos instalar e nos fechar, Ele muitas vezes permite que, por várias situações, nos desinstalemos e nos coloca em lugares e experiências para que ali, como diz uma mensagem, possamos germinar, florescer, frutificar, respondendo ao seu chamado, concretizando aquele convite, vocação maior, que dá sentido à nossa existência, de sermos uma missão no mundo.
É neste contexto que vamos entender a vida, a vocação, a missão de João Batista, que diz quando vê Jesus passando: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus” (Jo 1,29-34). O testemunho de João consiste no reconhecimento e anúncio da identidade de Jesus – Cordeiro; Filho de Deus – e da sua missão – tirar o pecado do mundo.
Falando em cordeiro é importante lembrar que no momento principal da história de Israel, a noite da sua libertação do Egito, cordeiros foram sacrificados e o sangue deles foi colocado nas portas das casas dos hebreus, para livrá-los da praga exterminadora (Ex 12,1-14). Aqueles cordeiros eram uma prefiguração de Jesus, o Cordeiro de Deus, apontado por João Batista.
O testemunho de João nos diz que é Deus quem oferece o seu cordeiro, seu próprio Filho, à humanidade, para tirar o pecado do mundo. Pecado aqui é a rejeição ao amor de Deus. Tirar o pecado do mundo, portanto, é restabelecer a comunicação entre a humanidade e Deus. É a superação do mal que impede o estabelecimento do Reino de Deus no mundo.
Olhando para o testemunho de João, que apresenta a identidade e missão de Jesus, somos convidados a abrir-nos à ação do Espírito que recebemos no nosso batismo e dar espaço para que Deus aja em nós e, por meio de nós, continue a se manifestar ao mundo como amor-doação, serviço.
“Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus”. Deus continua precisando hoje de outros Batistas. Todos nós devemos ser testemunhas do evangelho, dos valores do Reino, preparando o encontro das pessoas com Jesus. Todos nós temos a bonita missão de indicar aos homens e mulheres do nosso tempo, com a Palavra de Deus e o nosso testemunho, o Cristo, o Cordeiro de Deus, que se aproxima e que está presente entre nós; e que nos tira de uma história de pecado, condenação e morte. Somos no mundo uma missão.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Neste dia 20, celebramos São Sebastião, padroeiro de nosso município e da Diocese de Bagé. Que este santo mártir interceda por todos nós. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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