ANO: 26 | Nº: 6586

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
23/01/2020 João L. Roschildt (Opinião)

Viciados

O progressismo é uma droga que provoca overdose no seu primeiro uso. No mercado popular das ideias, também pode atender pelo nome de esquerdismo, um aparentado “químico” do coletivismo. Na sua versão mais “light”, aquela que mistura estercos de variados “intelectuais” que nunca leram nada, os efeitos imediatos provocam hipocrisia, incoerência, falta de discernimento e privação instantânea da razão. Seus usuários, alegando que não fazem mal a ninguém e que só querem queimar tudo até a última ponta, são habitualmente tolerados por boa parte das esferas de poder social: escravos de ideologias pregam liberdade de escolha.

Em círculos um pouco mais elitizados e que procuram maior refinamento do pó, os dependentes mentais do progressismo, após um breve uso, fantasiam um Estado que tenha o condão de prover todos bens a todos os indivíduos e que tenha a capacidade de eliminar qualquer mazela por meio de um poder central. Creem em líderes carismáticos na mesma medida em que veem fadas, gnomos, duendes e utopias. Na realidade paralela que o psicotrópico do progressismo inventa, os problemas econômicos da sociedade podem ser solucionados com redistribuição de riquezas, impostos sobre grandes fortunas e toques “socializantes” que forjem um novo Homem, mais humano e solidário.

Como o entorpecente do esquerdismo é muito utilizado por jovens (muitos “adultescentes” também são vistos na posse daqueles), o ambiente estudantil ainda recepciona muito bem essa “boleta”. Com baixa dose de pureza e habitualmente vista entre frágeis e desmiolados, o seu uso tende a provocar histeria, chiliques, vertigens e gritos contra aquilo que contraria a “bolha” de crenças progressistas da garotada. Assim, com as veias entupidas e o cérebro “acelerado”, a rapaziada que adora tinturas capilares estrambólicas e que aprende sobre a vida no YouTube, protesta por “mais educação” sem nunca ter estudado, faz “greve estudantil”, acha que todos os seus desafetos políticos são ditadores sanguinários e repetem qualquer ladainha que os fabricantes da droga defendem.

Nos cenários mais graves, o toxicômano apresenta casos flagrantes de surtos intelectuais dignos de internação. Vivendo em eterno entorpecimento, este moribundo não se cansa de falsear a realidade. Para estes adictos, um embrião humano não tem vida e pode ser descartado, ao passo que animais inferiores devem receber ampla proteção em qualquer estágio de desenvolvimento; o feminismo serve para defender os interesses de todas as mulheres, desde que estas mulheres sejam esquerdistas; genocidas e ditadores devem ser abominados, mas se matarem em nome da “causa”, amados; o gênero é uma construção social, mas quando estão “grávidos” anunciam: menina ou menino; o cristianismo é a representação do ópio do povo, desde que não ofusque as férias na Europa e as belas fotos de seus monumentos cristãos; o capitalismo deve ser destruído, porém, sempre o capitalismo dos outros.

Quando um progressista quer a legalização de drogas é porque sabe que não pode estar sozinho no fundo do poço para revolucionar as bases racionais da sociedade. Sem qualquer constrangimento usam laxantes intelectivos nas ruas, praças, universidades e redes sociais como forma de expurgar a culpa de suas consciências. No fundo são traficantes viciados na busca de novos clientes.

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