ANO: 26 | Nº: 6590

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
25/01/2020 José Artur Maruri (Opinião)

O mundo é um grande necessitado

Em 1971, um economista alemão chamado Klaus Scwab pensou em facilitar o diálogo entre empresários europeus e americanos. Estava criado o World Economic Forum (WEF), o Fórum Econômico Mundial.
Ainda na década de 70 importantes autoridades políticas começaram a participar do evento que teve como sede a cidade de Davos, na Suíça, região importante para a Europa desde a “belle époque”, pelo seu ar puro, capaz de curar a tuberculose, doença devastadora no início do século XX.
Mas por que tratarmos de Davos e seu Fórum Econômico Mundial neste espaço destinado ao Espiritismo?
Ocorre que o nome Davos se tornou, também, em sinônimo dos excessos do capitalismo denunciados pelos críticos da globalização e ativistas do meio ambiente.
Nessa linha, dias atrás, publicamos neste mesmo espaço que é imperativo e urgente que dispensemos esforços para adquirirmos a verdadeira riqueza, àquela que nos fará entrar no “Reino dos Céus” com a consciência tranquila pelo dever cumprido.
No entanto, não podemos desconsiderar que o capital pode ser ferramenta evolutiva importantíssima, se bem utilizado.
A obra espírita “Boa Nova” escrita pelo Espírito Humberto de Campos e psicografada por Francisco Cândido Xavier narra importante debate entre os apóstolos do Cristo acerca do papel da riqueza.
Narra o Espírito Humberto de Campos que o apóstolo Filipe, quase que pondo um fim às discussões, observada por Jesus, mencionava que continuaria acreditando ser mais fácil a passagem de um camelo pelo fundo de uma agulha do que a entrada de um rico no Reino do Céu.
Na mesma ocasião chegara o dia em que o Mestre se ausentaria da Galileia para a derradeira viagem a Jerusalém. A sua última ida a Jericó, antes do suplício, era aguardada com curiosidade imensa e grandes multidões se acotovelavam nas estradas. Foi quando um publicano abastado, de nome Zaqueu, subiu num sicômoro, para observar a passagem de Jesus por Jericó.
- Zaqueu, desse dessa árvore, porque hoje necessito de tua hospitalidade e de tua companhia – referiu Jesus.
Por certo que os apóstolos, avessos à riqueza, restaram escandalizados. “Não se tratava de um rico que devia ser condenado?”
Após a refeição servida por Zaqueu ao Mestre e aos discípulos, o publicano confessou estar sendo observado como detentor de uma vida reprovável e prosseguindo, referiu:
“(...) desde muitos anos, venho procurando empregar o dinheiro de modo que represente benefícios para todos os que me rodeiem na vida. Compreendendo que aqui em Jericó havia muitos pais de família sem trabalho, organizei múltiplos serviços de criação de animais e de cultivo permanente da terra. Até de Jerusalém, muitas famílias já vieram buscar, em meus trabalhos, o indispensável recurso à vida!...”
Diante do testemunho de Zaqueu, Jesus cuidou de esclarecer aos demais discípulos a fim de que cessassem as indagações.
Aliás, as luzes lançadas pelo Mestre Nazareno servem até os dias atuais para todos que ainda insistem em condenar o capital e não enxergam que fóruns, como o de Davos, podem ser importantes ferramentas de solução para a desigualdade que ainda existe em nosso Planeta Terra.
Vejamos, enfim, a lição do Mestre e fiquemos em nossas reflexões:
“Amigos, acreditais, porventura, que o Evangelho tenha vindo ao mundo para transformar todos os homens em miseráveis mendigos? Qual a esmola maior: a que socorre as necessidades de um dia ou a que adota providências para uma vida inteira? No mundo vivem os que entesouram na Terra e os que entesouram no Céu. Os primeiro escondem suas possibilidades no cofre da ambição e do egoísmo e, por vezes, atiram uma moeda dourada ao faminto que passa, procurando livrar-se de sua presença; os segundos ligam suas existências a vidas numerosas, fazendo de seus servos e dos auxiliares de esforços a continuação de sua própria família. Estes últimos sabem empregar o sagrado depósito de Deus e são seus mordomos fiéis, à face do mundo. (...) Nunca ouviste falar numa terra pobre, numa árvore pobre, em animais desamparados? E acima de tudo, nesses quadros da Natureza a que Zaqueu procura atender, não vês o homem, nosso irmão? Qual será o mais infeliz: o mendigo sem responsabilidade, a não ser de sua própria manutenção, ou um pai carregado de filhinhos a lhe pedirem pão? (...) Sim, amigos! Ditosos os que repartirem os seus bens com os pobres; mas bem-aventurados também os que consagrarem suas possibilidades aos movimentos da vida, cientes de que o mundo é um grande necessitado, e que sabem, assim, servir a Deus com as riquezas que lhes foram confiadas!”

(Referências: Portal G1. https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/01/20/cinco-coisas-para-saber-sobre-o-forum-economico-mundial-de-davos.ghtml. Acesso em 22/01/2020. Boa Nova. Pelo Espírito Humberto de Campos. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília. FEB, 2019. p. 149-154)

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