ANO: 26 | Nº: 6589

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
25/01/2020 Airton Gusmão (Opinião)

Sentir compaixão e cuidar com ternura

No Texto-Base da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é: Fraternidade e vida: dom e compromisso, e lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34), lemos a seguinte frase: “Se Deus é ternura infinita, também o ser humano, criado à sua imagem, é capaz de ternura. Sentir compaixão e cuidar com ternura é reacender a chama de uma vida; é reconstruir uma história; é aquecer um coração desesperado; é iluminar quem está na escuridão” (nº 135-136).
Neste terceiro domingo do Tempo Comum, temos o evangelho que fala do início da missão pública de Jesus, na Galileia, após a prisão de João Batista; aparecendo como a Luz para muitas situações humanas de trevas, ou seja, de injustiças, maldades, exclusões. Ele inaugura este novo tempo dizendo: “Convertei-vos porque o reino dos céus está próximo”.
Este anúncio do reino dos céus aqui não é uma realidade para ser vivida apenas após o fim da vida, ou que só irá existir no céu, mas está acontecendo com a pessoa, a pregação e o testemunho de Jesus. Podemos dizer que esse Reino é dos céus, na linguagem de Mateus, porque sua fonte originária é o amor de Deus.
Este Reino que Jesus inaugura é um projeto de mundo que consiste em novas relações, por isso, o apelo para a conversão, baseadas na justiça, no amor, no perdão, na solidariedade e no serviço. É o que lemos quando o texto diz que “Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
Para que este reino de Deus aconteça, Jesus chama colaboradores, os discípulos, a partir de suas realidades, quando diz a dois deles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Entendemos aqui a expressão “ser pescadores de homens” como a missão anunciada por João Batista e inaugurada por Jesus, que vai se traduzindo no empenho de tirar as pessoas de situações de vida sem dignidade, em promover a libertação de tantas situações de opressão, oferecendo o amor vivificador de Deus a todos, começando pelos mais necessitados.
Essa missão é hoje de todos os batizados e batizadas. Jesus quer contar com a nossa colaboração, participação, tornando-nos no mundo atual, em nossa realidade concreta, outros Cristos, que se traduz, a partir do escutar do seu chamado e do seu seguimento, no ensinar, pregar e curar; ou seja, viver a missão através da compaixão diante do sofrimento do próximo, nos colocando a serviço do cuidado da vida, como nos pede a Campanha da Fraternidade.
Entre tantos exemplos, testemunhas de Jesus Cristo, que deram a sua contribuição para que o Reino de Deus continuasse acontecendo em meio à humanidade, temos aqui no Brasil, Santa Dulce dos Pobres, que em certa ocasião afirmou: “O importante é fazer a caridade, não falar de caridade. Compreender o trabalho em favor dos necessitados como missão escolhida por Deus”.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Gostaria de agradecer ao Jornal Minuano, direção, redatores e funcionários, por este espaço semanal, bem como os leitores desta coluna ao longo destes cinco anos. Continuará este espaço a partir de fevereiro, o padre Jair da Silva, o novo pároco da Catedral de São Sebastião.

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