ANO: 26 | Nº: 6586

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
28/01/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Somos como cobras


Quantas vezes insistimos em defender ideias que já nem acreditamos mais?
Desde quando usamos o mesmo corte de cabelo só porque uma vez fomos elogiados por ele?
Há quanto tempo persistimos em utilizar roupas de um estilo que não combina mais com nossa idade ou jeito de ser somente porque lembra uma época em que fomos felizes ou nos sentimos seguros?
Muitas vezes fazemos de nós mesmos uma imagem que já não corresponde à realidade, nem física, nem emocionalmente.
Aquele episódio que nos fez sentir covarde já passou e vivemos tantas outras coisas que nos fortaleceram. Quantas experiências que além de sabedoria acumulada trouxeram também humildade e serenidade?
É necessário reciclar nossas ideias, e nossa visão de eu. Nunca paramos, portanto não cessa jamais o processo de aprendizagem e aperfeiçoamento. Nunca estamos prontos.
De tempos em tempos é saudável dar uma paradinha e perceber o que o processo contínuo de existir tem provocado além de novas rugas. E nisso se inclui livrar-se de velhos preconceitos, acolher novas habilidades e modos de pensar.
Pode ser impressionante o quanto de autoestima e confiança esta atualização pode proporcionar.
Carregamos muito mais peso do que o necessário. Reciclagem geral e, sobretudo, interior é abandonar o que não tem mais utilidade.
É interessante observar quem estamos nos tornando, quem somos agora e quem deixamos de ser.
Somos como cobras, de vez em quando trocamos de pele.
Perceber isso facilita a troca, seguindo a essência sem medo de abandonar a velha casca. Mais ou menos como o cantor e compositor Belchior propõe na música, que diz: "...no presente a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais..."

 

"É necessário reciclar nossas ideias, e nossa visão de eu"

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