ANO: 26 | Nº: 6587

Cássio Lopes

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30/01/2020 Cássio Lopes (Opinião)

Nelso Oliva: o historiador de Dom Pedrito

Nelso da Silva Oliva nasceu em 13 de outubro de 1939, na Coxilha do Fogo, subdistrito da Música, interior de Dom Pedrito. Filho de Leonardo Oliva e Idalina Silva, viveu sua infância e adolescência ajudando o pai, que era tropeiro. No Rincão da Música, realizou seus primeiros estudos numa escola rural da localidade.
Quando completou 18 anos, se mudou para a cidade, onde serviu ao exército no 14º RCMec. Logo em seguida, tornou-se sócio do CTG Rodeio da Fronteira, onde iniciou seu amor pelo tradicionalismo, dançando na invernada artística daquela entidade. Casou-se em 21 de maio de 1966, com Nilza de Vargas Oliva, com quem teve os filhos Paula Carina, Paulo Vinícius (falecido em 1998) e Cristiano. Foram casados por 53 anos. Formou-se técnico em Contabilidade, pela Escola Nossa Senhora do Patrocínio.
Em 1967, aproximou-se ainda mais da vida tradicionalista, iniciando sua trajetória como integrante da patronagem do CTG Rodeio da Fronteira. Sempre atuante, auxiliou a entidade ocupando diversos cargos, sendo que, em 2003, lançou o livro: CTG Rodeio da Fronteira – Seus Pioneiros, Sua História, uma homenagem ao CTG ao qual tanto se dedicou, contando a história através de nomes, fatos e fotos daqueles que construíram a história da entidade.
Foi Assessor de Tradição e Folclore, no governo do Prefeito Ruy Bastide, oportunidade em que realizou diversos eventos voltados à cultura gaúcha, como a Carreteada da Poesia Crioula e Festival de Gaita a Ponto e instalou marcos em alguns pontos de importância histórica, no Cerro Frio (local onde acampou Caxias antes da pacificação) e Ponche Verde (onde foi assinado o tratado de paz que pôs fim a Revolução Farroupilha). Foi Presidente do Festival Nativista Ponche Verde da Canção Gaúcha – 4ª edição. Organizou juntamente com o amigo Clóvis Daniel Bazan, a primeira vinda da Chama Crioula para o município. A chama foi acesa no Obelisco da Paz, em Ponche Verde.
Dedicou muitos anos de sua vida a pesquisas relacionadas com fatos históricos ocorridos em Dom Pedrito, realizando inúmeras pesquisas de campo. Dessas pesquisas, originou-se o documentário: Dom Pedrito e a Paz Farroupilha, filmado nos locais em que, segundo seus estudos, os fatos aconteceram. Este filme teve a participação de pessoas das mais diversas áreas, como médicos, peões de estância, etc, dando vida aos personagens da Revolução Farroupilha, tanto Farrapos como Imperialistas.
Em 1998, lançou a obra Dom Pedrito e a Paz Farroupilha, que relatou como os fatos da Guerra dos Farrapos aconteceram, em suas passagens por Dom Pedrito.
Sempre atento e dedicado aos assuntos pertinentes ao tradicionalismo, foi Coordenador Municipal de Tradicionalismo, Coordenador da 18ª Região Tradicionalista e Conselheiro do MTG. Sempre lutou muito para que os modismos não ferissem as tradições rio-grandenses.
Publicou vários artigos no jornal Ponche Verde, de Dom Pedrito, relativos à história do Rio Grande do Sul. Em 2015, foi Patrono da Feira do Livro de Dom Pedrito. Recebeu diversas homenagens em sua vida, por seu trabalho sempre voltado à cultura gaúcha, tais como a Comenda João de Barro, outorga conferida pelo MTG aos tradicionalistas que se destacam por seu amor e doação ao tradicionalismo e outros tantos em seu município.
Faleceu em 21 de abril de 2019 deixando esposa, filhos e os netos: Gabriel, Bianca e Laura. E o bisneto, Miguel. Nesse mesmo ano, foi homenageado como Patrono Espiritual da Semana Farroupilha em Dom Pedrito, onde, em um desfile temático, foi apresentada um pouco da sua vida tradicionalista, emocionando a todos que conheceram e/ou conviveram com ele.
Foi comerciante por muitos anos, tendo uma loja de peças e acessórios para bicicleta, chamada Agência Torpedo. Nome este que por longa data foi seu apelido. Homem simples, do campo, funcionário público municipal, sempre prezou pelas boas amizades, honestidade e respeito com todos. Fez inúmeras palestras em entidades tradicionalistas e escolas. Gostava muito de falar para os jovens. O assunto preferido era a Guerra dos Farrapos e História do Rio Grande do Sul, sempre inspirado em grandes autores como Moacyr Flores, Arthur Ferreira Filho, entre outros.
Seu legado hoje, é seguido por sua filha, Paula Oliva Bundt que, além de guardar com muito carinho toda a biblioteca do pai, com livros e pesquisas históricas, tenta ao máximo honrar tudo o que aprendeu e que lhe foi deixado de herança, como o amor incondicional às coisas da nossa terra.
Nelso da Silva Oliva me deixou um legado cultural, pois foi grande colaborador de minhas pesquisas, ao me fornecer valiosas informações de relevância histórica sobre Dom Pedrito. Com este pequeno histórico, deixo aqui minha singela homenagem.

Fonte: Depoimento de Paula Oliva Bundt.

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