ANO: 26 | Nº: 6526
01/02/2020 Segurança

Morte de homem baleado em conflito com BM terá dupla investigação

Foto: Divulgação

Caso ocorreu por volta das 19h40min de quinta-feira
Caso ocorreu por volta das 19h40min de quinta-feira
A noite de quinta-feira foi tensa na zona leste de Bagé. Por volta das 19h45min, próximo ao estádio Antônio Magalhães Rossell, no bairro Estrela D'alva, um homem, identificado como Denilson Duarte, de 38 anos, foi morto após entrar em conflito com a Brigada Militar. O fato causou uma significativa repercussão na cidade. E diante dessas circunstâncias, em questão de poucas horas, dois processos de investigação foram abertos.
No lado da Polícia Civil, o caso ficará sob a tutela da 1ª DP. Responsável por conduzir as diligências, o delegado Luís Eduardo Benites disse que será instaurado um inquérito, que prevê a coleta de depoimentos de testemunhas que estavam no local, pedestres, policiais que estiveram envolvidos no caso e o acesso das câmeras de seguranças, instaladas na via, ou até mesmo de estabelecimentos nas proximidades que tenham captado o ocorrido.
Ao ser questionado sobre como o caso poderá ser classificado, Benites esclarece que a atribuição fica por conta do Judiciário. "Nossa função, como autoridade policial, é investigar se é crime ou não. Quem vai informar se houve ou não legítima defesa é o juiz, após o acesso do inquérito policial", enfatiza.

"Usamos todos os recursos disponíveis", alega capitão

Ontem pela manhã, o capitão da BM, Patrique Rolim Marques, convocou uma coletiva de imprensa para apresentar detalhes do ocorrido, bem como ressaltar o posicionamento da BM perante ao fato. Além da conversa com os meios de comunicação, Rolim também divulgou fotos e um vídeo do momento em que o indivíduo é atingido por um tiro e cai. No material, que está disponível no site do Jornal MINUANO, é possível verificar que o baleado portava uma barra de ferro e partiu em direção do brigadiano, que reagiu com o uso de munição letal.
Segundo o capitão, a guarnição da BM transitava, na via, por volta das 19h40min. Inicialmente, o foco era efetuar abordagens na ciclovia que fica próxima ao 25º Grupo de Artilharia de Campanha (25º GAC). O trabalho tinha como referência a informação de que indivíduos estariam consumindo entorpecentes, bem como realizando atividades de tráfico. "Efetuamos a abordagem de alguns indivíduos. Em seguida, havia mais dois num local próximo (no muro do estádio Antônio Magalhães Rossell). Então, fomos efetuar a abordagem. Um deles acolheu, mas o outro resistiu e ele ainda estaria com uma mochila, portando objetos, conforme informações que recebemos da guarnição", explica.
Ao se recusar a atender a ordem policial, o indivíduo investiu contra os policiais com uma barra de ferro. Como forma de reação, a BM utilizou munição menos-letal, calibre 12. Só que os disparos não surtiram efeito e o homem permanecia insistindo com ataques em direção aos policiais. "Em decorrência do uso de crack, ele estaria bastante alterado. Foi solicitado apoio para outras guarnições. Após a reação, o indivíduo partiu em direção a rua Padre Abílio Sponchiado. Um policial o seguiu a pé, enquanto o outro assumiu a viatura como motorista e fez a volta na quadra", conta.
Quando a viatura fez a volta, na rua Padre Abílio Sponchiado, o indivíduo quebrou o para-brisa do carro com a barra de ferro. E como não havia mais munições não-letais, Rolim afirma que o recurso, então, foi partir para o uso de munições letais. "Diante da agressão que vinha sofrendo, o policial fez alguns disparos e o indivíduo veio a cair no solo. Foi acionado o Samu e outra viatura chegou rapidamente ao local. Ele saiu com vida. Porém, minutos depois, recebemos a informação da equipe médica que ele tinha vindo a óbito", relata.
Com base nos fatos, Rolim foi designado para responder pelo Inquérito Policial Militar. O prazo para conclusão da investigação é de 40 dias, com passível a uma prorrogação de mais 20 dias. Para complemento da investigação, a BM aguarda os laudos do Instituto Geral de Perícias (IGP). "Como forma de praxe, as armas utilizadas pelo policial foram apreendidas. Foram feitas fotografias e vídeos pelas equipes de Inteligência e Correição. As circunstâncias preliminares permitem dizer que a ação foi dentro da técnica policial. Usamos todos os recursos disponíveis. Os disparos foram sempre buscados nos membros inferiores, conforme mostra o vídeo. Isso demonstra que a ação policial é coerente e seguiram todo o protocolo. Infelizmente, houve a morte do agressor. Nosso objetivo inicial é sempre a contenção, mas, entre a vida do agressor e a vida do policial, temos que optar pela vida do policial", destaca.

Procedimentos com os policiais

Quanto aos policiais envolvidos, o capitão da BM ressalta que eles serão submetidos uma série de avaliações psicológicas. Por um tempo indeterminado, também passarão a lidar com casos que gerem menos exposição. "Eles não serão afastados de suas funções. Obviamente, haverá preservação, até pelas condições psicológicas e possíveis traumas que tenham sido causados. Mesmo com a experiência que eles têm, não é todo dia que a polícia tira a vida de uma pessoa. Eles devem ser designados para funções menos expostas", disse.

Histórico criminal

De acordo com o capitão, o indivíduo, identificado como Denílson Duarte, já possuía uma série de antecedentes criminal. "Teve a acusação de um homicídio ocorrido em 2003, numa boate. Também conta com passagens por posse de entorpecentes e tráfico", informa. Entretanto, mesmo diante de todo o histórico, Rolim ressalta que todas as medidas foram tentadas. "A morte nunca é a melhor solução. Mas diante das circunstâncias, preferimos que a vida do policial fosse preservada", finaliza.

O que diz o boletim de ocorrência?

Conforme relatado em boletim de ocorrência, a Brigada Militar foi acionada em função de consumo de drogas no local e após um pedestre ter sido roubado. Chegando ao local, os policiais avistaram dois indivíduos na lateral do muro do estádio. Assim, a BM abordou a dupla e solicitou que colocassem as mãos na cabeça. Entretanto, conforme relatado pela BM, no boletim de ocorrência, um deles teria desobedecido a ordem. Em seguida, pegou uma barra de ferro que estava dentro da mochila que carregava e investiu contra um dos policiais.
Como forma de reação, o policial que foi alvo do homem sacou sua arma, com munição "menos-letal", e desferiu sete disparos em direção ao indivíduo, na "linha abaixo da cintura". Entretanto, o policial reitera que, em nenhum momento, o homem deixou de investir contra ele.
Mesmo com a repressão, o acusado correu em direção à rua Padre Abílio Sponchiado e, nas proximidades dos condomínios Scyla Médici, foi novamente interpelado. Então, os policiais efetuaram novos disparos, dessa vez, com munição letal. E um deles acertou a região da cintura do acusado.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e levou o baleado ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS). No entanto, por volta das 21h, os profissionais de plantão atestaram o óbito.

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