ANO: 26 | Nº: 6527

Padre Jair da Silva

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Pároco da Catedral
01/02/2020 Padre Jair da Silva (Opinião)

Senhor, aumenta a nossa fé (cf. Lc 17,5)


Antes de iniciar o tema proposto, quero agradecer a este tão valoroso veículo de comunicação por me receber de novo como colaborador. Também minha gratidão se estende aos leitores, principais destinatários dos meus escritos.
Escolhi o tema da fé porque vivemos um contexto onde muitas pessoas têm desistido de crer, seja por causa de certos acontecimentos dolorosos, sofridos, absurdos, seja pela maneira como Deus é, misterioso, inacessível, não enquadrado nos nossos esquemas, não cabível nas nossas medidas, um Deus a Quem não podemos de forma alguma ver, no sentido de controlar, mas apenas escutar, no sentido de obedecer. É por isso que a fé se apresenta como algo que nos desafia. A fé, quando autêntica, me coloca no espaço correto da relação com Deus, o espaço da obediência, não do controle.
Os discípulos de Jesus não se ocupam em pedir bens materiais, nem o prestigio da vida mundana; o Senhor os ensina a fazer o pedido adequado e essencial, próprio de quem se torna seu seguidor: o pedido da graça da fé, pois só esta, é capaz de orientar e iluminar toda a existência humana.
O aumento da fé significa confiar em Cristo, ainda que tudo não nos seja favorável, pois a fé é o fundamento da vida cristã. Trata-se de um dom que recebemos no dia do nosso batismo. Mesmo sendo dom de Deus, a fé precisa ser transmitida e cultivada.
Nada mais apropriado, embora a fé possa e precise ser transmitida também em muitos outros contextos, que a família para exercer esta tão nobre missão. A família é fundamental na transmissão e educação da fé. É missão do casal criar um ambiente doméstico que fale da fé: não deve faltar a oração em família, a presença de sinais religiosos na casa, como a Bíblia, o crucifixo ou alguma imagem sacra. A busca do batismo para os filhos, o ensinamento das primeiras atitudes e gestos cristãos, o aprendizado das primeiras orações, a transmissão, aos filhos, da "imagem" cristã de Deus e a introdução na comunidade da Igreja também fazem parte dessa missão dos pais. Em tudo, porém, o fator decisivo na educação é o exemplo dos próprios pais; os filhos pequenos aprendem vendo.
É no contexto da família que são ou deixam de ser transmitidos os valores que marcam a vida das pessoas. O que se aprende nos primeiros anos da vida tem importância decisiva. Uma boa experiência da nossa fé e a iniciação à vida cristã e de igreja enriquecem a educação dos filhos. Mas, não esqueçamos que a transmissão da fé da Igreja conta com a ação de todos os seus membros. Uma geração passa à outra o tesouro do Evangelho e o patrimônio da vida cristã e eclesial, enriquecido com o próprio testemunho. É um contínuo receber, acolher, viver e passar os outros; se hoje cremos, é porque outros, antes de nós, fizeram isso generosamente, há milhares de anos.
A fé transmitida, a fé cultivada. A fé tem um componente pessoal, e não só comunitário. Só pode crer, só pode ter fé aquele que teve um encontro pessoal e profundo com Deus. Todos nós precisamos fazer uma experiência de Deus em nossa história de vida. Mas a questão é como entendemos essa experiência de Deus. Uma vez que vivemos numa época que supervaloriza o emocional e o imediato, se não nos emocionamos e não sentimos Deus de maneira imediata, quando O buscamos, acabamos por abandonar a nossa fé. Porque não O encontramos aqui e agora, deixamos de buscá-Lo.
A fé precisa sempre ser bem cultivada para sua consistência e seu crescimento. O cuidado, a oração e o discernimento são imprescindíveis. A fé fragilizada pode levar a pessoa a ceder ao mal e às armadilhas da tentação ao consumismo e aos descaminhos da conduta. No seguimento fiel a Jesus e na imitação dos apóstolos peçamos: Senhor, aumenta a nossa fé.

Pároco da Catedral

 

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