ANO: 26 | Nº: 6543
08/02/2020 Esportes

“O Bagé não merece estar na segunda divisão”, destaca Arílson, novo técnico

Foto: Matheus Beck/Especial JM

Treinador destaca fator local como elemento essencial
Treinador destaca fator local como elemento essencial
Respaldado pelo acesso obtido com o Aimoré, em 2018, Arílson Gilberto da Costa, 46 anos, chega ao Pedra Moura com a missão de repetir a fórmula. O ex-meia, com passagens na década de 1990, por Grêmio, Palmeiras, Inter e seleção brasileira contará com o suporte de outro conhecido do futebol gaúcho. O ex-meio-campista Marcelo Mabília assumirá a função de coordenador técnico. Fecha o trio o auxiliar técnico Leandro Machado, com passagens por Ulbra e XV de Novembro. A negociação foi firmada na manhã de sexta-feira, em Porto Alegre, com o diretor executivo, Rodrigo Trindade.
A nova comissão técnica chega a Bagé neste final de semana, para acompanhar o jogo-treino deste domingo, diante do Fronteira, de Rivera, às 16h, no Pedra Moura. A direção voltou atrás na decisão e manteve o teste. O ingresso terá preço único de R$ 10. Porém, o clube pede para que os torcedores levem 1 kg de alimento não-perecível.
Os demais membros da comissão técnica são os seguintes: Rafael Fernandes (preparador físico); Douglas Luiz (preparador de goleiros); Tiago Pasini (analista de desempenho); Deividi Rosa (massagista); Alexandre Dutra (roupeiro); Darlan Berneira (gerente de futebol) e Cláudio Figueira, o Xuxa (diretor de Logística do Futebol).
Como jogador profissional, Arílson teve uma extensa carreira, de quase 20 anos. Grêmio, Inter, Palmeiras, Kaiserslautern (Alemanha), Real Valladoid (Espanha), Portuguesa, Avaí, América-MG, Universidad (Chile) são alguns exemplos de clubes expressivos que passou. No final da carreira, rodou por equipes do interior, entre elas, o 14 de Julho, de Santana do Livramento. Ao se aposentar, em 2012, passou a jogar showbol, pelo Grêmio. A experiência como treinador iniciou no Aimoré, em 2015, na categoria júnior e, posteriormente, no profissional. Foi no Índio Capilé que teve seus melhores momentos. Inclusive, no Campeonato Brasileiro de Seleções sub-20, foi campeão como treinador do selecionado gaúcho. Depois, passou por Operário-MS e Curitibanos-SC.
Por telefone, Arílson atendeu à reportagem do Jornal MINUANO. Questionado sobre o caminho para ter sucesso na competição, o treinador acredita que a tradição e o fator local pesam. "O Bagé é um clube de tradição, que está completando 100 anos. Já joguei contra, como jogador e como técnico. E sempre foi muito difícil. Não merece estar na segunda divisão. Eu gosto de desafios e vamos trabalhar para subir e conto com apoio do torcedor, atletas e funcionários. A Divisão de Acesso é complicada por ter vários times tradicionais, que já jogaram a primeira divisão. Para conseguirmos objetivo, temos que transformar o nosso estádio num caldeirão", ressalta.
Embora a larga rodagem como jogador, Arílson pede que os profissionais o visualizem na figura de treinador. "Não chego para tirar o lugar do Badico. Mas, para para buscar o meu espaço. Conheço alguns jogadores e sei que o grupo é muito bom. Vou fazer o meu melhor", finaliza.

As impressões deixadas em São Leopoldo

Dos três trabalhos de Arílson como técnico, o principal deles foi no Aimoré. Repórter do Jornal VS, de São Leopoldo, Matheus Beck aponta que a passagem do ex-meia pelo Índio Capilé ficou marcada por resultados. "Ele chegou ao Aimoré para o projeto dos juniores e foi campeão da Copa Sub-19, em 2015, e nos Gauchões sub-20 sempre chegou muito bem, tendo conquistado vaga para a Copa SP de Futebol Júnior. Em 2017, assumiu o time profissional durante a Copinha e levou o clube à inédita participação na Copa do Brasil 2018. No Acesso de 2018, subiu com o Aimoré, mas acabou demitido na Copinha naquela temporada", contextualiza.
Na concepção do repórter, a fórmula utilizada para que os resultados tenham se manifestado dentro de campo se devem à união do jeito "boleiro" de Arílson com o lado "professor e estudioso" do auxiliar técnico, Marquinho Viana. "É um cara com uma ótima leitura de jogo. Por ter sido atleta de alto nível, costuma se dar bem com os jogadores, sabe das necessidades e da forma com que reagem. Então, eu diria que esse jogo de cintura seria a parte mais importante da característica dele. Era bastante abraçado pela comunidade e, por ser um cara muito conhecido e respeitado no futebol, acabava atraindo gente para os jogos e servindo também como uma espécie de marketing. Ele é comentado pelos grandes veículos", analisa.

A função de Mabília

Pode-se concluir que Mabília será um interlocutor entre os interesses da comissão técnica e diretoria. A função de gestor do vestiário já foi desempenhada, recentemente, no Metropolitano. "O Rodrigo (Trindade) é meu amigo há bastante tempo. Vinha acompanhando à distância o excelente trabalho feito pelo Badico. Tenho ciência que será um ano marcante na história do clube. Vamos ajudar na parte da coordenação técnica, cuidando as escolhas dos jogadores e a avaliação dos jovens durante o campeonato. Já tive experiência como jogador, treinador e de alguém que conhece bastante o mercado. Viajamos para Bagé no sábado ou domingo e já acompanharemos o jogo-treino. E a partir de segunda-feira, o Arílson e a comissão técnica assumem o comando", destaca.
Outro profissional importante no sistema será o auxiliar técnico Leandro Machado. "Fui gerente de futebol na Ulbra, em 2004, e o Leandro foi meu treinador, na época. É um profissional extremamente qualificado. O Arílson dispensa comentários, conseguiu subir o Aimoré. Além de atingir os objetivos do clube, pretendemos formar jogadores para o mercado", ressalta.

"O Bagé passa a ter três técnicos", declara Rodrigo Trindade

Responsável pela negociação, o diretor executivo Rodrigo Trindade destaca o trabalho em equipe que é planejado. "O Bagé passa a ter três técnicos. Qualquer um deles poderia treinar. Montamos uma equipe, que será administrada pelo Mabília. O Arílson agregará pela experiência de vestiário. Tem um Acesso pelo Aimoré. Saiu campeão brasileiro de seleções estaduais sub-20. Temos setores bem formados, um completa o outro. Isso facilita muito a comunicação. Será um projeto de muito sucesso", aponta.

"Um trio vencedor que chega para somar", afirma Rafael Alcalde

Para o presidente Rafael Alcalde, mesmo com os problemas enfrentados durante a semana, o foco permanece o mesmo, que é o acesso. "Tivemos que mudar a rota, o caminho, com a saída do Badico. Mas os objetivos continuam os mesmos. O Arílson foi escolhido pela experiência, conhecimento. Tem um acesso recente pelo Aimoré, em 2018. É um cara relativamente novo no treinamento de futebol, porém, já com alguns títulos. E também teremos a experiência do Mabília, na parte da coordenação, e o Leandro Machado, um professor de Educação Física com passagens por vários clubes. É um trio vencedor que chega para somar", analisa.

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