ANO: 26 | Nº: 6587

Fernando Risch

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Escritor
14/02/2020 Fernando Risch (Opinião)

Março

Quando dezembro virou pra janeiro e 2019 se varreu ao esquecimento, eu estava em férias. Viajei para o litoral por 4 dias. Pareceram 10. Ainda em janeiro, já descansado, quando retornei ao trabalho, minha cabeça era de Ano Novo, Vida Nova. Ou seja, março.

Mas era janeiro. E por alguma razão plausível e facilmente explicável a cidade se esvaziou. Cidadãos, feito água num ralo, sumiram. E eu lá, em março. Fevereiro chegou, as pessoas planejavam ainda o que fariam neste período estranho de dois meses, mas pra mim era março e eu não conseguia entender o que estava acontecendo.

Dei-me conta tardiamente do Carnaval. Pra mim, o Carnaval havia sido lá no Réveillon, nas minhas férias. Enganei-me de novo. Minha mente me enganou. A culpa é dela, como se nós não fôssemos uma coisa só, pensante e atuante. Olho para o calendário e lá está o "02", "fev" e demais marcações que teimam e dizer que estou louco. Não estou louco, só com a cabeça lá na frente.

Isso sempre aconteceu. Desde que mundo é mundo, mas desde que Brasil é Brasil, e sempre vivi isso. Desta vez é um pouco diferente. Primeiro, porque eu tirei férias no mês errado; segundo, porque de todos os últimos cinco anos, coloquemos assim, este é o que mais vejo as pessoas andarem pisando em ovos.

Há um mistério financeiro no ar, uma dúvida sombria na próxima encruzilhada, e só há uma única maneira de se saber a verdade escondida sob a máscara de monstro: que março deixe de ser uma expectativa surrealista e tome corpo como o mês número três de doze, que mais parece mês um de dez. Calma, falta pouco.

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