ANO: 26 | Nº: 6542

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
29/02/2020 Marcelo Teixeira (Opinião)

Segunda-feira de carnaval*

Não existe nada melhor do que ir à praia para recuperar a ressaca do carnaval. A praia do Cassino tem suas vantagens, por ser a maior do mundo – com quase 300 quilômetros contínuos de praia – é possível estacionar o carro quase que sobre as ondas. Eu já estava acomodado numa cadeira de praia estrategicamente colocada ao lado do carro, quando chegaram dois carros e pararam ao lado. O vento estava como sempre! Já me contaram que existem dias em que não venta no Cassino, mas ainda não tive o prazer de estar presente.
Dizem que todo o escritor é observador, sendo assim, eu estava no meu papel.
Desceu uma família de cada veículo. A primeira, casal e três filhos, a segunda família, dois filhos mais os pais, no total 9 pessoas, idades entre 13 e 65 anos. Depois de descarregarem as cadeiras dobráveis de praia foi a vez de um saco de barraca. Simplesmente não acreditei, iriam eles armar uma barraca na beira da praia? Passei um bronzeador e esperei para ver. Não era uma barraca! Na realidade era uma tenda, daquelas que só tem o teto e são utilizadas para tapar o sol, criando um ambiente de sombra bem agradável. Eles realmente estavam preparados. A senhora de um dos casais tinha um papel na mão que o vento não facilitava a leitura. Após uma observação discreta, descobri que era o Manual de Instruções da tenda. A montagem começou organizadamente, quatro dos componentes do grupo ficaram responsáveis pelas colunas da tenda. Primeiro montaram a parte de cima, interligando as colunas umas com as outras através dos conectores de canto que tinham três encaixes cada. Um encaixe para baixo e um para cada lado em ângulo de noventa graus. Depois de tudo isso feito, mais quatro componentes do grupo trouxeram a parte de baixo de cada uma das colunas. A tenda que estava com um metro de altura passou para dois metros e precisou do envolvimento de todo o grupo. Logo em seguida, descobriram que era melhor voltar à altura de um metro para colocar a cobertura. Foi aí que eles e eu lembramos do "VENTO" do Cassino. O esforço foi grande e após não mais que meia hora a cobertura estava colocada e a tenda, agora, tinha a altura de dois metros. Claro que em cada uma das quatro colunas tinha um membro da família segurando a cobertura e a coluna, enquanto os outros quatro tentavam colocar as amarras no chão para liberar o pessoal de ficar segurando a tenda para não voar. Dou minha palavra de honra que eu estava torcendo para dar certo. Depois de uma hora de tentativa, todos desistiram, foram vencidos pelo vento. Guardaram todo o material desordenadamente, dentro de um dos porta-malas. O manual de instruções voou e ninguém foi atrás para buscar. Será que já estavam aposentando a tenda nova? Será que não deu certo porque era uma segunda-feira de carnaval? Ainda bem que naquela segunda-feira de carnaval não ia ser eu a explicar que aquele tipo de tenda pode ser usado em qualquer praia do mundo, menos na do Cassino.

* - Publicado originalmente em 11 de fevereiro de 2005 na pág. 2 do Minuano, por Álvaro Larangeira Teixeira. Transcrito, a partir da publicação original, por Marcelo da Costa Teixeira.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...