ANO: 26 | Nº: 6544
19/03/2020 Empreendedor

Fecomércio-RS realiza análise dos impactos econômicos do novo coronavírus

Foto: Arquivo JM

Pesquisa aponta que  o comércio de rua deve começar a sentir os efeitos a partir desta semana
Pesquisa aponta que o comércio de rua deve começar a sentir os efeitos a partir desta semana
A Fecomércio-RS realizou uma avaliação sobre os primeiros impactos do novo coronavírus (Covid-19) na economia. As orientações para reduzir a circulação de pessoas e mitigar o avanço da doença no Rio Grande do Sul já refletem na queda de movimento nos shoppings, bares e restaurantes. De acordo com o levantamento, com a suspensão de atividades em instituições de Ensino Fundamental, Médio e Superior, o comércio de rua deve começar a sentir os efeitos da queda de clientes já a partir desta semana. As exportações do Rio Grande do Sul também foram afetadas, com queda de 29,5% nos primeiros dois meses do ano.

A identificação do coronavírus como uma doença que, inicialmente, circula entre viajantes internacionais explica porque os shoppings registraram a redução na circulação de pessoas já nos primeiros dias de medidas para conter a doença. Antes mesmo dos primeiros casos no Brasil, empresas ligadas ao turismo, como agências de viagens, companhias aéreas e hotéis, registravam queda acentuada na demanda.

Com a suspensão de atividades nas instituições de ensino, tanto da rede pública quanto privada, e orientação para que a movimentação de pessoas seja restrita, o comércio de rua deve começar a sentir os efeitos a partir desta semana. O efeito sobre bares e restaurantes deve se intensificar nas próximas semanas, conclui a análise. Além do comércio de rua, postos de combustíveis e o transporte público devem registrar queda no movimento nos próximos dias, a depender da extensão da adoção de medidas como home office por parte das empresas com trabalho tipicamente de escritório. Os setores que vão na contramão desta tendência, nesse momento, são os de venda de gêneros alimentícios e farmácias, que devem registrar um movimento maior, pelo menos no curto prazo.

A diminuição da atividade no resto do mundo já gera impacto sobre as exportações, com queda de 8,5% no Brasil e de 29,5% no Rio Grande do Sul, nos dois primeiros meses de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Houve redução dos preços da commodities agrícolas, metálicas e energéticas – elementos importantes na pauta de exportação brasileira, e depreciação acentuada das moedas dos emergentes, com destaque para o Real.

De acordo com o presidente do Sistema Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, a adoção das medidas no início do contágio antecipa os efeitos econômicos, mas reduz os riscos de impactos mais profundos e duradouros e pode evitar o colapso do sistema de saúde. No entanto, é necessário pensar em medidas para viabilizar a recuperação econômica dos setores afetados e evitar impactos negativos sobre o emprego e a renda:

"É fundamental, nesse momento, que agentes públicos e privados evitem que a crise tome proporções ainda mais relevantes. Na esfera pública, devem ser estudadas medidas para prover liquidez, especialmente, para micro e pequenas empresas, através do diferimento de tributação e mecanismos que promovam a provisão de crédito. Na esfera privada, especialmente no setor bancário, os agentes precisam tomar ações coordenadas para evitar que o pagamento de compromissos financeiros diante de um choque de demanda adverso, como o que se supõe que vá acontecer, acabe inviabilizar inúmeros negócios", alerta.

O estudo da Fecomércio-RS também avaliou os efeitos econômicos decorrentes da queda da oferta como consequência da falta de fornecimento de peças. A origem da epidemia se deu justamente no principal país fornecedor de componentes eletrônicos, levando à suspensão da atividade industrial em diversas fábricas no mundo, inclusive no Brasil.

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