ANO: 26 | Nº: 6494
20/03/2020 Esportes

A rotina dos atletas bajeenses que sobrevivem do esporte

Foto: Divulgação

Elder Lara relata suspensão dos treinos em Niterói
Elder Lara relata suspensão dos treinos em Niterói
Se nos esportes coletivos o calendário de competições sofreu grandes abalos, em função do surto do coronavírus, as modalidades individuais que necessitam de espaços de treinamentos específicos ficam ainda mais comprometidos. A medida se aplica com maior carga para o atleta de alto rendimento, ou seja, que vive exclusivamente do esporte. Bagé possui alguns casos desse tipo espalhados pelo Brasil.

Academia de Elder Lara paralisa

Radicado em Niterói (Rio de Janeiro), o bajeense Elder Lara atua como coach de muay thai, no Centro de Treinamento da equipe Paraná Vale Tudo (PRVT), uma das referências do MMA no país. Até o meio da semana, a academia fechou para treinos comerciais e seguiu somente com a rotina dos atletas profissionais, com portas fechadas. A determinação era de que o praticante podia treinar, desde que não tivesse nenhum sintoma.
Entretanto, na tarde de quarta-feira, em virtude dos números de casos de suspeitas só aumentarem – somando-se a isso a morte confirmada em Niterói -, a equipe PRVT baixou uma nova determinação e cancelou todos os tipos de treinamentos na academia. "Fechamos o espaço. Nem em duplas, nem sozinho está permitido. Minha orientação é que os atletas fiquem em casa. E quem puder ir para suas famílias e ficar por lá até a situação melhorar é mais adequado. No início, permitimos o treino entre profissionais, mas realmente não devemos subestimar. A ordem é essa. Quem descumprir será punido e ficará na 'geladeira' por um bom tempo", destaca.
Para retornar a um nível físico e técnico, Lara afirma que os atletas terão dificuldades. "Tivemos cancelados os próximos três UFCs. Duas atletas da nossa equipe iriam lutar nas próximas duas semanas. Isso só no UFC, fora os eventos nacionais. O impacto é grande, pois o atleta perdeu peso, se desgastou e gastou durante sua preparação. Teve, também, o sofrimento com dieta e treinamento. Além, claro, da parte do dinheiro, pois, se o atleta não lutar, ele não recebe. Então, isso influencia diretamente na vida pessoal", contextualiza.

Marina segue no aguardo do UFC

Três edições do UFC, agendadas para ocorrerem entre março e abril, foram canceladas. Entretanto, ainda não houve um posicionamento, por parte da organização, a respeito do UFC Fight Night 174, que acontece em Oklahoma City, nos EUA, dia 2 de maio. E a bajeense Marina Rodriguez integra o card. Pela categoria peso-palha (52 kg), a atleta enfrentará a conterrânea Claudia Gadelha.
Enquanto não há uma definição, Marina permanece treinando, com portas fechadas, junto do treinador e de uma colega, na academia em Florianópolis. "Somos as duas únicas atletas profissionais da academia com lutas ainda marcadas; os demais puderam ficar em casa. O contato é só de nós três mesmos, mas cada um se cuida fora do treino. Aqui na cidade, tudo fechou. Quem sai para fazer compras no mercado é o meu irmão. Eu só saio para os treinos mesmo", relata.

Roberto Alcalde foi dispensado

O nadador bajeense Roberto Alcalde desenvolve suas atividades diárias no C.T. Paralímpico, em São Paulo. Na tarde de quarta-feira, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) determinou a suspensão dos treinamentos, por tempo indeterminado. "Estou treinando como posso. No condomínio onde eu moro, tem uma piscina. Então, nadarei nela enquanto puder. Todas as competições foram canceladas, não sabemos como as coisas vão ser a partir de agora", ressalta.
Fora o Circuito Loterias Caixa, Alcalde também tinha planejado participar de competições internacionais, a fim de conseguir índice paras as Paralimpíadas de Tóquio (Japão), prevista para 2020. "O jeito é torcer para que as coisas melhorem o quanto antes para voltarmos a nos preparamos, pois temos os Jogos", enfatiza.

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