ANO: 26 | Nº: 6555

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
21/03/2020 Marcelo Teixeira (Opinião)

A guerra dos mundos

O livro "The War of the Worlds" (A Guerra dos Mundos) é uma obra de ficção científica de autoria do escritor britânico Herbert George Wells, publicado no fim do Século XIX no Reino Unido. Para os contemporâneos esta obra ficou popularizada recentemente por causa do filme com o mesmo nome, estrelado por Tom Cruise. Todavia, muito antes deste filme recente, já tinham filmado a primeira adaptação da famosa obra britânica, lançada em 1953.

Porém, antes mesmo desse primeiro filme esta obra foi protagonista de um curioso episódio que, hoje, certamente provocaria risos, mas que em 1938 provocou pânico entre os milhões de ouvintes da Rádio CBS nos EUA que, ouvindo um programa de rádio que dramatizava a referida história de ficção, pensaram se tratar de uma relato real e ao vivo de uma invasão alienígena.
É importante lembrar que nessa época a televisão, como meio de comunicação, apenas engatinhava e o principal, mais ágil, abrangente, influente e democrático meio de comunicação era o rádio. Exatamente por isso é que o efeito da transmissão daquela dramatização provocou o efeito que provocou.
O episódio acabou entrando para a história da humanidade e até hoje é fruto de reflexão sobre a responsabilidade dos meios de comunicação de massa e de sua potencial capacidade de influenciar o comportamento humano, sobretudo do comportamento de massa que pode provocar aquilo que a gente denomina de "efeito manada".
Pois bem, toda essa introdução para chegar na calamidade do coronavírus que estamos enfrentando e comentar sobre o papel contraditório que a televisão está exercendo sobre a humanidade civilizada. Por razões que não vem ao caso citar, estamos todos sendo massacrados por uma cobertura jornalística e uma produção de conteúdo que, com raros intervalos, só falam na pandemia. Essa overdose incessante e onipresente de "informação", via de regra, em tom alarmista, obviamente gera pânico que, graças a Deus, ainda está sob controle. A contradição está no fato de, depois de alarmar e deixar todo mundo apavorado, a mesma televisão pede calma e que a população não entre em pânico. É um caso clássico de "morde e assopra".
É por isso que essa história do pânico gerado pela Rádio CBS, ao dramatizar A Guerra dos Mundos em 1938, deve ser lembrada e relembrada, para chamar a atenção da responsabilidade dos meios de comunicação de massa. Nada contra a necessária divulgação das informações, mas não podem esquecer que essa overdose de informação, mesmo que isentas e fidedignas, por si, naturalmente gera pânico. Essa é uma reação social previsível e que deve ser levada em consideração, sob pena de tornar o quadro incontrolável. É como aquela história de que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Pois é, em se tratando de jornalismo, se errar na dose das informações, a intenção de deixar a população bem informada pode deixar a população bem atordoada como me parece que está ocorrendo neste momento. Como disse a Leci Brandão: muita calma nessa hora!
Para encerrar e completar, na obra de ficção, A Guerra dos Mundos termina com a derrota dos alienígenas para uma bactéria invisível. Uma bactéria que não derrotou os terráqueos, mas derrotou os marcianos. De certa forma isso é inspirador para esse momento em que estamos igualmente enfrentando um inimigo invisível. Certamente ele não vai derrotar os terráqueos e, quem sabe, amanhã poderá até ser nosso aliado na luta contra os alienígenas. Vai saber...

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