ANO: 26 | Nº: 6586

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
25/03/2020 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Estamos todos juntos


Faz mais de três meses que o novo coronavírus atingiu a humanidade a partir de uma contaminação que começou na China, em uma província industrialmente importante, com uma capital com o tamanho da cidade de São Paulo. E, assim como a capital paulista, um centro urbano com intensa presença na dinâmica de trocas internacionais que caracterizam a atual economia globalizada.
Era evidente, portanto, que a doença provocada por esse vírus que tem altíssima capacidade de contágio, tivesse um impacto mundial. É o que estamos vendo. Em pouco mais de três meses, temos algo em torno de 400 mil infectados em todo o mundo. O impacto ganhou uma dimensão preocupante porque as pessoas não possuem anticorpos contra o vírus. É um vírus novo, contra o qual podemos contar, até agora, apenas com as nossas próprias defesas internas. Essas defesas, como sabemos, não são fracas e, em situações normais, possuem alta capacidade para enfrentar esse tipo de infecção. Ocorre que muitos de nós, ou pela idade avançada ou por sofrer alguma moléstia que lhes fragilizam as defesas, têm maior dificuldade para enfrentar a doença.
Mesmo que a grande maioria não sofra qualquer problema frente à contaminação (sabemos que em torno de 85% das pessoas que são infectadas ou não sofrem nada ou apresentam sintomas leves), uma pequena parte de nós, caso tenha contato com o vírus, precisará de atendimento hospitalar e até, em alguns casos, de atendimento em nível de UTI. E como o vírus é muito contagioso, mesmo essa pequena parte será composta por muitas pessoas, que poderão precisar de apoio hospitalar ao mesmo tempo se nada for feito para diminuir a curva de contágio.
É por isso que todo o mundo concluiu, a partir da experiência no enfrentamento deste e de outros vírus que o antecederam, que a melhor estratégia é o afastamento social. É isso, e apenas isso, que permite que a cadeia de contágios seja rompida e se diminua a curva de adoecimentos, permitindo que os que precisam de atendimento mais especializado tenham acesso a leitos hospitalares e equipamentos que serão essenciais para a manutenção de suas vidas.
Muitos de nós, entretanto, terão dificuldades para cumprir esta determinação. Os trabalhadores da saúde, que precisarão se manter ativos para atender a população, os trabalhadores da segurança, do setor de energia, comerciários e comerciantes de bens essenciais, etc, todos esses precisarão manter algum nível de atividade e por isso precisamos ser muito agradecidos, solidários e cooperativos com eles. E a melhor forma de cooperarmos é fazer a nossa parte para diminuir o nível de contágios, achatar a curva da doença e permitir um nível aceitável de demandas hospitalares, mantendo com rigor a prática do afastamento social.
Mas existem outras pessoas, também, que não têm condições de parar sem o apoio do Estado, dos governos. Falo de trabalhadores informais, em geral, dos mais pobres, daqueles que se não trabalharem não terão recursos para manter a existência com um mínimo de dignidade. Para estes, é preciso uma atenção especial do Estado, em todas as suas instâncias. Não é hora de os governos economizarem. É hora de fazermos todos os esforços para manter essas pessoas com dignidade.
Com este objetivo, o PT apresentou em nível federal a proposta de uma Renda Mínima de um salário mínimo para todas as famílias inscritas no Cadastro Único (que identifica as famílias que precisam de algum auxílio do governo) ou que sejam sustentadas por trabalhadores autônomos, mesmo que não inscritos, pelos próximos quatro meses, o que pode beneficiar até 100 milhões de brasileiros. Essa renda mínima garantirá, mais do que a distribuição de alimentação, o acesso desses nossos irmãos ao pequeno comércio e às eventuais medicações necessárias, e permitirá que todos enfrentem esse período de escassez com dignidade e garantia de sobrevivência ao cumprir as determinações de afastamento do trabalho.
Em nível estadual, apresentamos, também, um conjunto de sugestões, que vão desde a liberação dos pagamentos de contas públicas (suspensão de cobranças e proibição de cortes no fornecimento de água e energia), reforço na atenção aos trabalhadores da saúde (garantia de EPIs e condições de trabalho seguro), garantia de alimentação para estudantes de escolas públicas que dependem de merenda escolar para uma alimentação digna, isenção de ICMS para pequenas empresas, crédito para microempresários e trabalhadores autônomos, etc.
O que importa é que não é momento para críticas e/ou divisões, mas para nos somarmos todos aos esforços que as autoridades públicas estão fazendo para frear essa pandemia que nos atacou, nos ameaça, mas não pode nos paralisar. Por isso, inclusive, coloquei-me já a disposição do prefeito Divaldo Lara para ajudar no que for preciso para enfrentar os problemas que a nossa cidade terá nestas próximas semanas. Combinado com ele, inclusive, já reforcei junto ao governador as demandas da cidade de mais recursos para o Fundo Municipal de Saúde e, emergencialmente, o envio de alimentos para nossa população menos favorecida.
Estamos juntos. Vamos enfrentar essa situação e sairmos dela mais unidos e mais dispostos a uma vida baseada em valores de solidariedade, tolerância e verdade. Sejamos fortes!

Líder da bancada do PT na ALRS

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