ANO: 26 | Nº: 6495
26/03/2020 Cidade

Empresários comentam efeitos da paralisação geral do comércio

Foto: Divulgação

Após a controvérsia gerada pelo pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na noite de terça-feira, em que criticou o distanciamento social e a suspensão das atividades econômicas como forma de combate ao coronavírus, a reportagem do Jornal MINUANO buscou avaliar a situação com as entidades representativas da classe empresarial na região, como Aciba e Sindilojas. Em Bagé, a suspensão das atividades no comércio e serviços foram suspensas, temporariamente, através da publicação do decreto 050/20, publicado no último dia 19.
Sobre o posicionamento de Bolsonaro acerca da suspensão das atividades comerciais, o presidente do Sindicato dos Lojistas de Bagé, Nerildo Lacerda, concorda: "Pena que foi só uma sugestão (o pronunciamento de Bolsonaro). Se fosse um decreto, o povo todo estaria nas ruas nesse momento, trabalhando e fazendo a economia girar", analisou.
Conforme destaca Lacerda, o comércio varejista, principalmente as micro e pequenas empresas, não possuem capacidade de autossustentação por mais de sete dias sem atividades. "Senão tiverem vendas diárias, não tem como pagar os funcionários, os fornecedores, a energia, os impostos. E se não pagar os impostos, isso afeta também a Prefeitura, que vai ter queda na arrecadação e dificuldade de pagar os funcionários", diz.
Para Lacerda, a medida de suspensão temporária das atividades como alternativa de nivelamento e controle da situação do coronavírus pode levar ao caos econômico. "É pior uma pandemia econômica do que uma pandemia pelo vírus", argumenta. Ele destaca, ainda, o trabalho que o setor da saúde vem desenvolvendo no enfrentamento à doença. "É elogiável o que estão fazendo. Até agora tivemos sete casos confirmados e a situação tem se mantido estabilizada. Mas é isso, são os órgãos de saúde que têm que se preparar para atender a demanda, não a população. Sem o mercado girando, a economia vai parar e isso será um problema ainda maior", destaca.
Presidente da Associação Comercial e Industrial de Bagé (Aciba), Pedro Ernesto Obino destaca que a categoria entende a parada geral inicial, medida adotada pela Prefeitura de Bagé como forma de mapear o status atual da pandemia do município. Para ele, foi, também, um momento importante para estruturar a área da saúde na cidade. "Em primeiro lugar, a saúde e a vida das pessoas", destaca.
Porém, Obino se mostra preocupado, representando o receio de muitos empresários da região, com a continuidade da suspensão das atividades. "Não temos mais como continuar com o faturamento zerado. O impacto com essa primeira parada já vai ser grande. Se ela continuar, vai ser gigantesco", define.
Para aliar a manutenção da prevenção do vírus e a garantia da retomada econômica da cidade através da reabertura do comércio e serviços, a Aciba elaborou algumas sugestões para o governo municipal. A intenção é retomar, de forma gradual o comércio, seguindo uma cartilha com diretrizes e procedimentos, prevendo questões como manter a higienização dos locais de circulação, exibição constante de vídeo explicativo sobre a doença e as formas de prevenção, o distanciamento entre as pessoas e os cuidados pessoais de cada funcionário das empresas. "Podemos trabalhar com meio turno, das 14h às 18h, com rodízio de funcionários, no máximo 50% de trabalhadores ou menos, de acordo com o fluxo de vendas. O funcionamento em turno único, neste primeiro momento, também geraria redução de deslocamentos da residência ao trabalho", destaca.
Além disso, Obino destaca que as atividades que podem ser executadas remotamente, em home office, por exemplo, devem ser mantidas desta forma, assim como seguir com o isolamento dos grupos de risco.
O presidente da entidade também se manifestou acerca da possibilidade de retomada das atividades no setor de construção civil. "Por ser uma atividade realizada a céu aberto, poderia ser retomada sem restrição de horários, sempre seguindo a cartilha de higiene e limpeza", destaca.
Para Obino, medidas como estas garantem o equilíbrio da situação, com a retomada gradual do faturamento das empresas, evitando aumentar as taxas de desemprego na cidade e problemas sociais advindos dele, como fome e aumento da violência. "Em um primeiro momento, de forma acertada, cuidamos da saúde, a parada geral possibilitou que a gente conhecesse mais profundamente a situação. Mas a questão econômica se impõe, não há como ficar desta maneira por mais tempo", declara.

Isenção de pagamento da taxa de alvará ainda não é o suficiente, aponta Aciba
Na sexta-feira, dia 20, a Aciba protocolou um pedido à Prefeitura de Bagé, solicitando a isenção de pagamento de taxas e impostos para os empresários durante o período de retomada e recuperação do comércio local.
O retorno da Prefeitura foi dado ontem, isentando as empresas do pagamento da taxa de fiscalização/alvará até o final do mês de agosto. A resposta do município aos empresários para amenizar os efeitos negativos da pandemia no comércio local, destaca que a medida impactará "nos cofres municipais neste momento de crise", já que, deste modo, a Prefeitura deixa de arrecadar R$ 1,5 milhão. A resposta encerra com a sentença: "Sabemos que talvez seja pouco, mas é o que podemos fazer neste momento".
Obino, por fim, frisa que, apesar de reconhecer a importância da postergação deste pagamento, ainda não é o suficiente para mitigar os efeitos da crise e uma nova proposta deve ser feita ao município. "Precisamos, também, de ajuda no IPTU, para que seja prorrogado da mesma forma que a taxa de fiscalização", aponta.

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