ANO: 26 | Nº: 6543
27/03/2020 Fogo cruzado

Governo federal reconhece situações de emergência em Candiota, Hulha Negra e Lavras do Sul

Foto: Joanes Araujo/Especial JM

Em Hulha Negra, racionamento de água iniciou em janeiro
Em Hulha Negra, racionamento de água iniciou em janeiro

O Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio de portaria publicada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, reconheceu os decretos de situação de emergência dos municípios de Candiota, Hulha Negra e Lavras do Sul. As três prefeitura decretaram emergência no início de março, em função da estiagem.
O reconhecimento dos decretos de emergência estabelecem uma situação jurídica especial, facilitando a gestão para a execução de ações de socorro e assistência social. Em casos de emergências decorrentes de desastres naturais, reconhecidas por ato do governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode, por exemplo, antecipar, aos beneficiários atingidos, o cronograma de pagamento.
As três cidades registram prejuízos milionários. Apenas em Hulha Negra, de acordo com levantamento elaborado pela Emater, no início do mês, as perdas do setor primário podem superar R$ 13,7 milhões. Os hulha-negrenses também enfrentam um racionamento de água, com abastecimento de 12 horas. O cronograma de distribuição do recurso em propriedades rurais, adotado no início do mês, foi mantido pela prefeitura, mesmo diante do decreto de calamidade, que integra o esforço para conter a disseminação do coronavírus.


Baixas precipitações
O chefe do escritório da Emater de Hulha Negra, Guilherme Zorzi, explica que, sem previsão de novas precipitações para março, o município deve encerrar o mês com o registro de apenas 26 milímetros (mm) de chuva. O volume representa 25% da média histórica, que tem como base os registros dos últimos 30 anos. Em fevereiro, Hulha Negra já havia registrado pouco mais de 23% do volume de chuva esperado para o mês, com base na média histórica.


Perdas
A lavoura de soja, cuja perda foi estimada em 25%, no laudo apresentado pela Emater à Prefeitura de Hulha Negra, no dia 5, agora pode chegar a 40%. Zorzi estima que, na lavoura de milho, as perdas também podem chegar a 40%, alcançando 50% do milho para silagem. Na lavoura de sorgo, que tinha perdas estimadas em 20%, no primeiro levantamento, a estiagem deve comprometer 25%.
A pecuária também foi afetada. Para a bovinocultura leiteira, no primeiro laudo da Emater, conforme detalha Zorzi, a perda foi estimada em 25%. A estimativa, hoje, é que a estiagem comprometa entre 35% e 40%. Na bovinocultura de corte, cerca de 25% da produção deve ser atingida. E na produção de mel, a perda já é estimada em 15%.
Zorzi destaca que o escritório da Emater está atendendo produtores que têm seguro, com laudos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que garante a exoneração de obrigações financeiras relativas a operação de crédito rural de custeio, cuja liquidação seja dificultada pela ocorrência de fenômenos naturais. Outros atendimentos também são realizados via teletrabalho.

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