ANO: 26 | Nº: 6526
27/03/2020 Esportes

Jogadores e federações ainda não entraram em consenso

Foto: Antônio Rocha

Divisão de Acesso teve apenas três rodadas realizadas
Divisão de Acesso teve apenas três rodadas realizadas
Com todas as competições de futebol paradas, o futebol brasileiro vive um dilema diante da pandemia de coronavírus. Duas discussões tem envolvido, diariamente, os bastidores do esporte. A primeira diz respeito ao calendário. Há quem defenda que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) adote o calendário europeu, com a temporada encerrando somente em 2021. Já outra corrente sugere a redução de datas, com o cancelamento dos estaduais e a alteração das fórmulas da Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. A definição não é unilateral, pelo fato de envolver aspecto financeiro, como o pagamento das cotas de TV, feita aos clubes, e do investimento dos patrocinadores. Então, necessitaria de uma renegociação dos valores.
A Comissão Nacional de Clubes (CNC) propôs reduzir em 25% o salário dos atletas durante o período de paralisação do futebol. A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) não aceitou a proposta, alegando que ela fere a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e também foi rejeitada por sindicatos estaduais e municipais da categoria.
A negativa dos representantes dos jogadores foi encaminhada na quarta-feira ao presidente do Fluminense, Mario Bittencourt, que representa as grandes equipes brasileiras. Os atletas também querem que a CBF seja uma espécie de avalista do acordo, garantindo, assim, o pagamento do salário do mês de março, parcela dos direitos de imagens e as férias a serem usufruidas em abril.
Em nota oficial, publicada no site da Fenapaf, a entidade pontua que está disposta 'a dividir soluções conjuntas para que os custos da reconstrução sejam compartilhados (...) afinal de contas, somos um só povo, na alegria e na tristeza".
 
Situação no interior gaúcho
Se a situação no ambiente futebolístico nacional ainda é uma incógnita, no interior, o impasse ainda é maior. Até o momento, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Luciano Hocsmann, não descartou nenhuma possibilidade quanto ao futuro das competições estaduais. O Gauchão está suspenso por 15 dias. O prazo vence na segunda-feira e a tendência é que seja prorrogado pelo mesmo período. Há um debate sobre como a Federação deve proceder se a competição não tiver mais datas hábeis para ser realizada. Proclamar o Caxias como campeão (por ter vencido o 1° turno) ou fazer uma final com o Inter (melhor campanha geral) são possibilidades expostas nos bastidores. Numa terceira alternativa, realizar semifinais e finais em jogos únicos não estão descartadas.
No caso da Divisão de Acesso, o caso ainda é mais emblemático. Com apenas três rodadas realizadas, existe uma tendência para que o campeonato seja reiniciado no segundo semestre, mais especificamente entre agosto e setembro. O Acesso poderia ocorrer aos domingos e à Copa Ibsen Pinheiro, nome atribuído para a edição de 2020 da Copinha, aconteça às quartas-feiras.
Entretanto, mesmo com a videoconferência realizada na terça-feira, entre a diretoria da FGF e os 16 times participantes da Divisão de Acesso, não houve oficialização da proposta. Isso porque a medida depende de um acordo com o Sindicato dos Atletas do Rio Grande do Sul, no que se refere à situação contratual dos jogadores. Conforme programado anteriormente, a previsão era de que o Acesso encerrasse em junho, e enquanto não há uma definição, os contratos com os atletas estão em vigor. E, por sua vez, os clubes não estão obtendo receita para pagar os jogadores. Ou seja, a situação é alarmante.
Para transferir a Divisão de Acesso para o segundo semestre, é preciso que haja uma definição de como ficarão os contratos, se eles serão suspensos ou, automaticamente, remanejados para o segundo semestre. Mas, isso não depende apenas da legislação esportiva, e sim, do governo federal e Judiciário. Portanto, o debate passa, também, por uma reunião com o Ministério Público do Trabalho, que deve ser agendada. E no lado dos jogadores, também se faz necessária uma articulação de seguro-desemprego, para que os atletas, principalmente, os do interior não fiquem desassistidos nos próximos meses, até o recomeço da Divisão de Acesso.
 
 
Com informações da Agência Brasil 

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