ANO: 26 | Nº: 6590

Padre Jair da Silva

pejairs@yahoo.com.br
Pároco da Catedral
30/03/2020 Padre Jair da Silva (Opinião)

Uma pandemia apenas ou um sinal?


É comum depois de uma grande tragédia, catástrofe, onde a vida humana é ceifada tão bruscamente, as pessoas se perguntarem: O que isso significa? É um sinal? Certamente diante da pandemia do coronavírus muitos estão se fazendo as mesmas perguntas. Evidentemente que algo assim nunca seria provocado por Deus, os motivos podem ser negligência, descuido, ou qualquer outro. Mas sabendo que Deus fala de muitas formas, será que Ele não poderia aproveitar dos erros humanos para nos falar? Ou será que esta pandemia não nos serve de sinal para que nos perguntemos como estamos vivendo a nossa tão rápida passagem neste mundo, como meros habitantes usuários e não como donos?
Talvez a história não nos responsabilizará ou nos culpará pela pandemia, mas com toda certeza vai nos cobrar e, com toda razão, a forma como enfrentamos. É preciso agir, é inadmissível que a vida de um povo seja ameaçada em nome do dinheiro, do progresso. Os interesses de uma minoria não podem estar a cima da segurança, da saúde e bem-estar de todo um povo.
Em tempos de pandemia é inaceitável que sejamos irresponsáveis, inconsequentes. Não podemos aceitar que sejam relativizadas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), dos cientistas que são as maiores autoridades da saúde no mundo. Portanto, não saiamos de casa, sejamos os primeiros e os principais responsáveis no enfrentamento e superação da pandemia do coronavírus.
Também estamos, em meio as grandes preocupações, nos perguntando: Onde foi que erramos? De quem é a culpa? Penso que agregada a estas perguntas está uma outra que é muito oportuna: Como está sendo construída a nossa civilização? O que estamos oferecendo para as nossas crianças, nossos jovens? Muitas vezes nós pais ou sociedade como um todo, com a mais louvável das intenções de querer oferecer um futuro seguro para nossos filhos, acabamos dando tanto e esquecemos que o fundamental é que a vida seja construída em valores permanentes.
Na outra vez que trabalhei em Bagé, acompanhei o fechamento do Instituto São Pedro de Educação e Assistência (ISPEA). A notícia causou nos alunos uma atitude quase que de desespero. Num primeiro momento eu me perguntei sobre o porquê de tamanha tristeza, uma vez que os cursos oferecidos pelo ISPEA também eram oferecidos em muitas outras instituições. Eu realmente entendi quando ouvi de uma aluna a seguinte explicação: "Nós não estamos preocupados somente com os cursos que lá recebemos, nós nos referimos aos momentos fortes de oração, espiritualidade, de convivência que existe lá dentro. Isso é muito importante para nós".
Tenhamos consciência, de que nem sempre nós oferecemos aquilo que eles necessitam para darem um sentido verdadeiro as suas vidas. Não nos preocupemos em oferecer tanto e sim o essencial. É fundamental ter presente que está em nossas mãos a formação dos futuros políticos, profissionais da saúde, da educação, etc. Ou seja, sejamos construtores de uma sociedade mais humana, fraterna e solidária.

Pe. Jair da Silva
pejairs@yahoo.com.br
(55) 997051832

 

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