ANO: 26 | Nº: 6526

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
31/03/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Da paciência nasce a esperança

Sempre foi importante desenvolver e cultivar a virtude da paciência. No entanto, no presente momento de distanciamento do convívio e isolamento social como medida de contenção mediante supercontágio do novo coronavírus, ser paciente torna-se indispensável. Aprender, querer desenvolver e buscar formas de ampliar a capacidade de aguardar transformou-se em poucas semanas em uma de nossas prioridades, até por que sem ela comprometeremos outras, essenciais para a vida e nossa sobrevivência nestes tempos de pandemia.
Que ironia que justamente agora que a humanidade parece atingir o auge da intolerância e falta de capacidade de aguardar tenhamos tanto que aprender a ser pacientes. Logo agora que as crianças pequenas já aprendem a falar se queixando de tédio, que aguardar alguns segundos por uma informação parece uma eternidade provocando irritação e sentimentos de raiva necessitemos tanto de paciência. Logo agora neste momento da sociedade em que normalmente esperar numa fila de mercado incomodava tanto e parecia ser tanto desperdício de tempo, neste exato momento em que salas de espera estavam causando pânico e ataques de ansiedade, temos que aprender a esperar, esperar em casa, e sem um prazo garantido, mudando hábitos e não tendo o controle de muita coisa além de nossa higiene redobrada, e rezando para que os outros façam o mesmo! É muita coincidência!
Aprender a esperar pode ser a capacidade de administrar e aguentar os mais sombrios pensamentos que teimam em brotar em nossas cabeças na medida em que vamos nos informando sobre o mundo e as perspectivas para os próximos dias. Não sabemos quanto tempo durará nossa espera. Só sabemos que vale a pena esperar, pois é de vidas que estamos falando, sobrevivência e capacidade de chegar o recurso médico para aqueles que dele necessitarem. Se a impaciência imperar agora, é caos o que nos aguarda. Não há receita além do imperativo de se manter ocupado e útil. Não há mágica aqui, é bem simples compreender, quanto mais egoístas forem nossos ideais mais irritadiços e impacientes ficaremos. Refletir sobre coletividade e humanidade ao mesmo tempo em que mantemos o foco em pequenas ações cotidianas que podem ser cuidados com a casa, artes manuais, cooperação humanitária, leitura e obviamente a comunicação com pessoas queridas nos retiram do ócio infértil e dão significado pessoal a espera. Definitivamente temos que sair desta situação mais tolerantes e mais pacientes, pois é a partir da paciência que nasce a esperança!


Se a impaciência imperar agora,
é caos o que nos aguarda.

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