ANO: 26 | Nº: 6590

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
01/04/2020 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Nossa maior batalha

Vivemos certamente uma das maiores batalhas, se não maior, de nossas vidas. A pandemia do novo coronavírus se abateu sobre o mundo inteiro, afligindo de maneiras diferentes, mas sempre de forma agressiva, vários países. Nações desenvolvidas, como Inglaterra, Espanha e Itália vivem tempos que remetem para os piores momentos da segunda guerra mundial, quando milhões de vidas foram perdidas e a economia entrou em colapso, exigindo o famosos Plano Marshall, de reconstrução da Europa.
Autoridades sanitárias da maior parte dos países demoraram para entender a gravidade da epidemia que iniciou na Ásia, mas demonstrou, desde o início, um enorme potencial de contágio. Nos países da Europa mais afetados, nem mesmo os índices de mortalidade acima do normal em crises viróticas tornou indiscutível a necessidade de medidas drásticas para evitar a disseminação da doença. O resultado deste verdadeiro vacilo se pode ver na realidade dramática e trágica que vivem neste momento.
No Brasil, além de tudo, precisamos conviver com a visão tacanha, anticientífica, irresponsável e maldosa do presidente. Nunca se viu uma conduta assim de um presidente eleito, dizem jornalistas e analistas de todo o mundo sobre Bolsonaro. Contra as evidências, contra a sensatez, contra um mínimo de empatia, o presidente e sua família, desdenham dos mais frágeis, como se pudessem oferecer em sacrifício idosos e doentes crônicos para "salvar" o que ele chama de economia, mas que é, na verdade, o interesse mesquinho de um grupo muito minoritários de ricos e investidores.
A conduta do presidente merece nosso desprezo e nossa indignação. Os que ainda o apoiam, depois deste comportamento que o isolou inclusive dentro de seu próprio governo, deveriam repensar fortemente sua condição de humanidade. Aqui, não se trata mais de uma diferença política e ideológica, mas uma compreensão do que é mesmo a humanidade e qual nosso destino como coletividade humana. Bolsonaro está fora! Talvez ainda não do governo, mas da condição de governar com um mínimo de respeito por parte da sociedade brasileira.
Felizmente, a conduta do presidente não obteve guarida nas decisões que foram sendo tomadas por governadores e prefeitos em todo o Brasil. Orientados pela OMS, constituiu-se, com formatos diferentes, é verdade, práticas de isolamento social, preservando as pessoas de uma evolução descontrolada da pandemia. Vários analistas indicam que a nossa antecipação nas definições de isolamento pode ser um diferencial importante no resultado final da doença, que já matou quase 40 mil pessoas em todo o mundo, que poderá levar a óbito cerca de 100 mil pessoas nos EUA e que nos ameaçava, também, com centenas de milhares de vítimas fatais se nada fizéssemos no Brasil.
Entretanto, poucos, mas ativos, empresários resolveram resistir a essas decisões baseadas nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos cientistas de todo o mundo. Orientados pelo discurso insano de Bolsonaro, começaram a fazer movimentações, mobilizando seus carrões e usando de forma criminosa os símbolos do país para defender a volta ao normal, o fim do isolamento, mesmo que isso signifique, como todas as autoridades sanitárias dizem, o descontrole da pandemia com a multiplicação exponencial do número de mortes. É triste e revoltante ver que a bandeira brasileira serve agora para simbolizar essa política da morte, do desprezo pelo que é humano, da profunda e repulsiva mistura de ignorância e egoísmo.
O problema é ver que o próprio governador Leite, que iniciou alinhado com o humanismo e com a ciência o enfrentamento à pandemia, vacila a partir da pressão desses poucos e mesquinhos empresários. Ao vacilar e flexibilizar regras de isolamento, Leite pode se inscrever no rol de governantes que não fizeram o que estava ao seu alcance para evitar as mortes do povo. Vejam, até agora estamos ainda no início do ciclo epidêmico no país e ainda temos muitas coisas para fazer antes de sequer pensar em flexibilizar as medidas de afastamento.
A multiplicação de leitos de CTI e respiradores, a aquisição e a distribuição de testes rápidos para todas as cidades, a multiplicação e entrega de EPIs para os profissionais da saúde e da segurança. São essas as medidas que deveria ser focadas pelo governo do Estado. Feche os ouvidos para os mesquinhos, use a sua influência política, exercite sua maioria e apoio nos meios de comunicação para defender os gaúchos, não para ameaçá-los, governador Leite.
Em Bagé, temos o caso mais grave do interior do estado. Felizmente, o prefeito aqui se mantém decidido a fazer o que for possível para defender a vida. Evidente que a prefeitura não consegue resolver tudo apenas com suas próprias forças. Por isso, a importância de uma orientação clara do governo do estado. De nossa parte, estamos juntos e apoiando o prefeito Divaldo. E repetindo em todos os cantos e lugares em que podemos falar: precisamos de mais testes, precisamos de mais respiradores, precisamos de mais EPIs, precisamos de mais humanidade nos governantes.
Vamos resistir. E vamos superar. Mas teremos que fazer juntos, gaúchos e bajeenses.

Líder da bancada do PT na AL

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