ANO: 26 | Nº: 6527

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
02/04/2020 João L. Roschildt (Opinião)

Protozoários e antibióticos

Para um bom progressista, a pequena corisca já faz um fascista; com descrédito intelectual, resta-lhes o impropério verbal. Sem pudores, não poupam seus opositores; atacam-lhes a honra com a pior das desonras. Insultar, execrar e vandalizar é a essência daqueles que só querem “lacrar”; elogiar, congregar e construir são verbos que devem ruir. Um sedutor progressista pode até se esconder atrás da serena igualdade, mas sempre preservará a falsidade; seus enganos propositais servem muito bem para ações ditatoriais.

Vivemos uma época em que cada um tem um fascista para chamar de seu. Mesmo diante da propagação do coronavírus e de sua grande consequência, qual seja, o isolamento social, creio que as pessoas não estejam com muitas saudades de seus carinhosos fascistas em virtude das facilidades da internet. Em um pequeno clique, seu “fascistinha” pode aparecer na tela do seu computador ou smartphone. De rosto sério, preocupado ou sorridente, nunca perde uma chance de politizar qualquer assunto. Ainda mais se for um assunto microscópico, como no caso de um vírus.

Mas também é possível que seu pequeno tirano apareça sem rosto, em uma lei ou decreto. Sempre com justificativas “científicas” excessivamente catastróficas e que estão a serviço de interesses políticos escusos, as determinações legais surgem como salvaguarda do bem-estar social, mesmo que algum direito natural, como a liberdade, possa ser suprimido. Afinal, perder a liberdade em prol de um “bem” maior é aceitável, não é?

Em uma ponta, os protozoários políticos do esquerdismo, pequenos seres que não são capazes de produzir seu próprio alimento e acabam se alimentando de outros seres vivos, dizem sem pudor algum que a economia se recupera, mas as vidas não. Desconsideram de forma proposital a quantidade absurda de vidas que podem ser extintas com uma economia em colapso pela sua paralisação. Nada de novo, afinal, vivem do caos. Ou a fome não mata mais do que este vírus com nome de cerveja? E se a economia pode ser reabilitada, ao passo que a vida não, como defendem a legalização do aborto por motivos econômicos?

No outro lado, travestidos de antibióticos, mas com um conteúdo bem vermelho, encontram-se os políticos progressistas-coletivistas “contrários” ao esquerdismo “raiz”. Tal e qual os medicamentos, só mostram sua funcionalidade com o aparecimento de alguma enfermidade preocupante. Demonstrando presteza, garbo e muitas vezes com uma elegância capilar que alinha todos os fios de forma simétrica para demonstrar zelo (juro por Deus, não tenho inveja de algo “fake”), mostram-se como os grandes guardiões das vidas alheias. E aí, em uma mistura de ânsia despótica com uma angústia medrosa, não titubeiam e são rápidos nos decretos: fecham os comércios e proíbem a livre circulação de pessoas em determinados horários. Claro! De forma mágica farão o “melhor” para os incultos cidadãos...

Até quando um homem poderá cultivar sua barba? Não faltam infectologistas recomendando a sua retirada e famosos que já rasparam seus pelos faciais para evitar contágios. Como estou cultivando o crescimento de minha barba há mais tempo, esperarei um decreto que proíba sua existência. E manterei. Assim como continuo atravessando a rua e levando o lixo doméstico durante a madrugada. É muita adrenalina essa história de “ilegalidade”!

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