ANO: 26 | Nº: 6527

Fernando Risch

fegrisch@gmail.com
Escritor
03/04/2020 Fernando Risch (Opinião)

Pneumonia

Vocês provavelmente conheciam meu avô. Um homem muito bacana dessa cidade. Nicanor, o nome dele. Ele morreu com 89 anos, em 2016. Era janeiro, estava fervendo de quente e, por uma infelicidade do destino, uma pneumonia o venceu. Foi duro, difícil. Mas não culpamos a doença. Acontece e aconteceu.

Nicanor era ativo, tinha uma saúde boa para a idade, mas, obviamente, tinha fragilidades. Lembro quando minha mãe entrou em casa aos prantos, vinda da UTI, porque ele não reagira ao último dos antibióticos existentes. Lembro de minha tia médica dizer que não tinha mais o que ser feito, com palavras duras. E quando ela, a médica, se abalou, a família colapsou, porque ninguém melhor que ela para saber a gravidade da situação.

Eu não sou médico, mas acompanhando as notícias das vítimas do Covid-19, vejo que o vírus sempre acaba evoluindo para uma pneumonia ou algo próximo disso (se eu estiver falando uma bobagem, por favor, que algum médico me corrija). Eu sei o que é testar tudo o que é possível e o corpo de uma pessoa não reagir, uma pessoa que 10 dias antes estava completamente normal.

Também sei o que é a dor.

A história do meu avô é uma história, a minha e da minha família, o que passamos e com a dor que até hoje temos dificuldade em lidar. Porque Nicanor Antônio Risch não era descartável. Era uma pessoa. Uma pessoa maravilhosa que se perdeu e foi vencido por algo mais forte que ele, pelo menos naquele momento.

Levem a sério o Covid-19, ouçam as autoridades, respeitem o isolamento social. Porque quando a dor chegar, desta vez ela não virá sozinha. Ela virá com a culpa de quem teve a oportunidade de impedir a tragédia e não fez nada. Ninguém é descartável.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...