ANO: 26 | Nº: 6589
06/04/2020 Cidade

Apatur e Sebrae divulgam resultado de pesquisa sobre o impacto da Covid-19 no turismo da região Pampa Gaúcho

Foto: Tiago Rolim de Moura

Marcado pela produção primária, setor projeta necessidade de estabelecer uma rede de cooperação e ampliar as ações de qualificação
Marcado pela produção primária, setor projeta necessidade de estabelecer uma rede de cooperação e ampliar as ações de qualificação
O setor de Turismo é considerado um dos mais impactados pela crise econômica decorrente da pandemia do coronavírus, de acordo com a WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo). Hotéis e pousadas vazios, equipamentos turísticos sem funcionamento, agências de turismo tendo que lidar com cancelamentos e, na melhor das hipóteses, remarcações de viagens. O fluxo turístico nas cidades foi suspenso e não se sabe quando irá normalizar.

Diante desse cenário, a Instância de Governança Regional de Turismo do Pampa Gaúcho – Apatur, em parceria com o Sebrae/RS, realizou uma pesquisa virtual para avaliar o Impacto do Covid-19 no turismo do Pampa Gaúcho. A pesquisa foi disponibilizada no período de 26 de março a 1º de abril de 2020 e contou com a participação de 75 empresas do setor de turismo, nos segmentos de meios de hospedagem, gastronomia e prestadores de serviços turísticos.

Conforme a direção da Apatur, o  objetivo do estudo é compreender a situação atual das empresas do setor de turismo na região, frente ao contexto gerado pelo coronavírus; mapear o perfil dos negócios; identificar as principais fragilidades do setor; e obter um diagnóstico que permita monitorar a situação e buscar soluções assertivas, na forma de cooperação.

Resultado

O resultado demonstra que o setor está sendo altamente impactado, com 57,3% das empresas sem funcionamento e 41,3% operando parcialmente. O perfil das empresas participantes da pesquisa foi analisado de acordo com o seu ramo de atuação, sendo 50,7% do ramo de alimentação, 22,7% são prestadores de serviços turísticos, 14,7% são meios de hospedagem e 12% são empreendimentos turísticos. Em relação as equipes de colaboradores, 65,4% das empresas conta com até 10 colaboradores; 20% sem colaboradores e 14,6% acima de 20 colaboradores.

Os principais desafios enfrentados por estes empresários durante a quarentena, com a suspensão do funcionamento tradicional do comércio e serviços, tem sido referentes a manutenção do fluxo de caixa (73,3%), geração de novas fontes de receita (54,7%), pagamento dos colaboradores (53,3%) e dos fornecedores (34,7%), o que denota fragilidades em gestão dos negócios e planejamento financeiro, de acordo com o SEBRAE/RS.

Outro desafio que se destaca no resultado da pesquisa diz respeito a gestão das equipes, constata-se que 27% não tem colaboradores, 21% não tem definido a estratégia em relação a equipe e 52% já tem definidas as ações, para esse momento de crise. Dentre as estratégias adotadas, 46% empresas optou por dispensar ou demitir funcionários, 31% das empresas por manter os postos de trabalhos e outros 23% por dar férias coletivas.

Outros dados relevantes que demonstram claramente o impacto da crise no setor de turismo são referentes a previsão de faturamento das empresas neste período e a sua expectativa de sobrevida frente a manutenção desse cenário. Das empresas que participaram da pesquisa, 62,6% indicou uma provável redução de 75% ou mais no seu faturamento mensal, enquanto outros 33,3% terão redução de até 50%. A estimativa em relação ao tempo de sobrevida é de até 30 dias em 47,9% das empresas, de até 60 dias em 25,3% das empresas e de 90 dias ou mais em 26,6% das empresas.

A pesquisa aponta que, para minimizar os impactos e prejuízos, 73,3% das empresas adotou como estratégia realizar ações de marketing digital, utilizando as redes sociais para manter seus clientes engajados. Além disso, 30,7% das empresas estão buscando parcerias com outras empresas do setor; 30,7% estão apostando nas vendas online e no delivery.  Ainda, 25,3% apostam na criação de novos produtos ou serviços e 22,7% das empresas está buscando negociação com seus fornecedores.

Por fim, cabe destacar que 80% das 75 empresas que participaram da pesquisa tem interesse em cooperar e trabalhar colaborativamente pelo setor. E, ainda, que 45,3% das empresas conta com apoio especializado, através de consultorias e instrutórias. Em parte, atribui-se este dado a presença do SEBRAE e ao apoio que vem sendo dado pela instituição as pequenas empresas do setor de turismo da região, decorrente do Programa LÍDER, através do projeto Caminhos do Pampa Gaúcho, que visa promover o desenvolvimento turístico regional do Pampa Gaúcho.

Redes de Cooperação

Frente a este resultado e ao atual cenário, onde ainda não há previsão de retomada do fluxo turístico, a Apatur destaca a necessidade de estabelecer uma rede de cooperação e ampliar as ações de qualificação com foco na atuação junto as empresas, como as realizadas pelo Sebrae e Sistema S, e fortalecer a interação do setor com os turistas, por meio dos canais digitais, com ações de posicionamento e marketing turístico.

Para estimular o fluxo turístico no período pós-crise, é preciso desenvolver novos roteiros e serviços turísticos na região. A Apatur ainda ressalta ainda a importância da articulação política das entidades, instituições e governos para viabilizar medidas que assegurem a sobrevida e recuperação das empresas do turismo, como acesso a linhas especiais de crédito; auxílio governamental para pagamento da folha salarial dos colaboradores; prorrogação ou isenção de impostos e contas básicas (aluguel, luz, água, esgoto, outras) durante esse período.

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