ANO: 26 | Nº: 6527
06/04/2020 Opinião

Quem parou a Terra foi o Covid-19 e não um extraterrestre!

Foto: Reprodução JM

por César Jacinto
Professor e Mestre em Ensino


Quem parou a terra não foi um poderoso robô, denominado de Glort no filme: "O dia em que a terra parou". Este clássico da ficção científica, dirigido por Robert Wise, em 1951 faz uma leitura de um período pós-guerra (2ª mundial) e os movimentos da guerra fria, quando a terra recebe a visita de um alienígena, que alerta sobre a importância da paz para humanidade e que a corrida bélica poderia trazer danos para a terra e ameaçar outros planetas. Em uma demonstração de força Glort com seus poderes inimagináveis paralisa todos os continentes, transportes estáticos, sem energia elétrica, indústrias, comércios, tudo literalmente estático, em repouso.
Numa trajetória nunca experimentada de avanços tecnológicos da humanidade, quem fez a terra parar foi um habitante mais antigo do que nós seres humanos neste planeta, resistiram e sobreviveram às catástrofes, eras glaciais, adaptando-se as situações mais lúgubres e inóspitas. Um vírus que com seu poder de propagação alterou o percurso da humanidade em pleno século XXI, o mundo parou literalmente, as indústrias fecharam totalmente ou parcialmente, como consequência os comércios e indústrias estão com suas portas cerradas, escolas sem aula, as reuniões e agendas ocorrem por videoconferência. O momento é de cautela e cuidado com si e com os outros. As competições esportivas também sofrerão alterações, as olimpíadas pela primeira vez na história foram adiadas para 2021 (23 de julho a 08 de agosto), ficando um ciclo olímpico de cinco anos, durante a 1ª e 2ª guerras mundiais foram canceladas. Campeonatos de futebol continentais foram adiados também.
Além do inimigo real e invisível, que é o Covid-19, outros adversários surgem para complicar a situação e atrapalhar a conscientização da população referente aos danos causados por quem é acometido pela doença, dentre elas o discurso oficial do presidente que procura desconstituir as determinações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das autoridades brasileiras da saúde, assim como pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Desacreditar a imprensa brasileira também tem sido uma estratégia para flexibilizar as medidas de isolamento social e possibilitar o amplo funcionamento dos setores produtivos do país, o que ocasionaria a circulação de pessoas e facilitaria a velocidade da contaminação pelo vírus. É compreensível a necessidade das empresas de produzirem e assim manter empregos e pagar custos, mas este momento é delicado e quem deve acenar com medidas que auxiliem os setores produtivos e também propiciar programas de renda para os trabalhadores formais e informais deve ser o governo federal.
Aliada fundamental na conscientização do momento que passamos,a imprensa brasileira merece todo respeito e graças a ela é que possuímos uma democracia fortalecida, pois sem o direito à informação não existe nem mesmo justiça, sua função que é nos manter informados sobre o avanço do Covid 19 no país tem sido cumprido de forma correta e isenta. Reportagens especiais, programas com especialistas e atualização dos casos tem marcado os noticiários locais, regionais e nacionais. O que tem causado indignação geral e prejudica o enfrentamento a esta enfermidade são as inúmeras "Fake News" que circulam nas redes sociais tomando dimensões geométricas com extrema velocidade, aumentando o pânico da população. Nosso reconhecimento aos setores de saúde, que arriscam suas vidas para salvar outras tantas e também a segurança que dá suporte para a consecução do trabalho dos demais segmentos neste momento de pandemia do Coronavírus em que a união, o bom senso, o amor ao próximo e a alteridade, dentre outros, são fundamentais para superação de todas as dificuldades geradas pelo Covid 19.

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