ANO: 26 | Nº: 6576

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
07/04/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O que você tem feito na quarentena?

Não confunda movimento com ação! Esta é uma frase de Ernest Hemingway. Sempre gostei desta frase por guardar em si um dado importante sobre a vida, nem tudo que parece é. Da mesma forma que caras e bocas não determinam bom ator, andar aceleradamente não é garantia de evolução. Vivemos a era da pressa e da falta de tempo avalizados por uma agenda cheia de compromissos, com os quais muitas vezes estamos sequer comprometidos de verdade. Correria é uma palavra que aparece bastante na boca e nas mensagens de texto da maioria e serve, entre outras coisas, para justificar porque não conseguimos parar, porque não conseguimos conversar, porque não concluímos um projeto, porque não iniciamos a concretização de um sonho, porque não descansamos...

Em plena pandemia de Covid-19 o maior desafio em ficar em casa, além do distanciamento social, é que estamos todos alterando nossas rotinas, alguns mais, outros menos, entretanto ninguém segue sua vida como antes. Neste contexto muita gente tem me perguntado como fazer para aguentar tanto tempo em casa, o que fazer para driblar a ansiedade, e o que fazer em casa?
Embora não haja resposta pronta, nem certa, a melhor sugestão é: Customize sua quarentena, seu isolamento, seu distanciamento social. Faça do seu jeito. Desenvolva seu jeito de higienizar os objetos e a casa. Crie sua forma de conversar com as crianças sobre o que está acontecendo. Invente uma fórmula de estar em contato com as pessoas que são importantes para você sem precisar por em risco o distanciamento necessário. Ocupe sua mente e o seu corpo com atividades que possam servir de distração e expressão para a ansiedade que já faz parte da vida da gente em situações normais e, portanto, seria de se esperar que aumentasse um pouco em ocasião e situação tão inusitadas e preocupantes. Faça uma listinha das coisas que tinha vontade de fazer em casa e não concretizava porque nunca surgia oportunidade. Desacomode! Se fazia atividade física na rua, na academia, invente uma forma de não parar e fazer algum exercício em casa. Se até aqui sedentário, crie uma opção de ação agora, melhor momento que este para aderir a um novo hábito não vai surgir tão cedo!
O que faz a ação é o objetivo, a intenção, onde ela nos levará e ao que nos propomos. Quantos dias em nossa vida não tem propósito definido? Ficar em casa ou diminuir ao máximo possível as atividades fora tem um enorme e importantíssimo propósito e um objetivo compartilhado por toda a população mundial: Conter os danos do avanço do contágio!
Para mim também não tem sido simples, saí da minha zona de conforto, mudei minha rotina, minha mente não está querendo parar e a velocidade das informações e dados estatísticos também não ajudam. O que tenho feito? Vou compartilhar com vocês, não por servir de modelo, mas quem sabe de inspiração: Cuidados com a higiene, crochê, silêncio, oração, yoga, estudo, vejo filme, acompanho o Big Brother e abracei um desafio, do qual fugi por um bom tempo, aderi a dar continuidade ao meu trabalho clínico online (temporariamente) com todo planejamento e mudança de hábitos em casa que envolve o home oficce.
Desafie-se, crie, transforme, mude, invente de modo que ao passar toda essa crise tenhamos uma história de transformação pessoal a contar, pelo menos em termos de incremento da paciência e talvez o desenvolvimento de alguma outra habilidade pessoal ou manual. Conta pra mim: O que tem feito durante a quarentena? Quero poder publicar. Faça em dilcehelenapsicologa@gmail.com ou no WhatsApp 99569089.


Desafie-se. Crie.
Transforme. Mude.

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