ANO: 26 | Nº: 6542
07/04/2020 Cidade

O Sútil Equilíbrio entre Nutrição e Imunidade

Foto: Reprodução JM

por Cássia Medeiros
Nutricionista e docente do Curso de Nutrição da Urcamp

 

Qual a relação entre nutrição e imunidade?

Por que a alimentação balanceada e correta traz muito mais benefícios que somente um corpo magro e bonito neste momento? Para entender isso, precisamos falar sobre o que é “ser e estar saudável” e as estratégias que nosso organismo usa para “manter nosso estado de saúde”.

O estado de saúde é especialmente coordenado, dentre outros, pelo funcionamento adequado do sistema imune do indivíduo. O sistema imune é complexo, distribuído por todo o corpo e altamente ativo.

Dessa forma, para que as diversas células do sistema imunológico funcionem de maneira adequada, é necessário que nutrientes apropriados sejam ingeridos na quantidade e qualidade corretas pelo indivíduo.

A Conta do Desbalanço Alimentar é paga pelo Sistema Imune

O consumo de uma dieta desequilibrada pode gerar impactos em todo o organismo. Assim, ambos os extremos – como a desnutrição e o alto consumo de gorduras – podem provocar alterações da função imunológica e danos graves às pessoas.

Até o momento não temos tratamento ou vacina para o COVID-19, e por ser um novo vírus, não temos muitas informações. Mas é provável que as respostas de cada pessoa ao vírus dependa do sistema imunológico, formado por células de defesa contra infecções. Um sistema imunológico enfraquecido, como no caso de idosos ou pessoas com doenças pré-existentes, poderia permitir uma progressão mais rápida da infecção viral.

Também não temos estudos científicos sobre o efeito dos alimentos na infecção por coronavírus, mas alguns nutrientes podem dar suporte à nossa imunidade (Wu et al. Front Immunol; 9:3160; Celiberto et al. Immunology;155(1):36-52, 2018; Yahfoufi et al. Nutrients;10(11), 2018; Pae; Wu. Nutr Res;41:14-35, 2017).

Muito mais do que mera crendice, o poder de determinados nutrientes em estimular o sistema de defesa do organismo é um fato cada vez mais corroborado pela ciência.

O que incluir no cardápio para fortalecer o organismo e conquistar mais saúde por meio da dieta

Uma das premissas da dieta imuno-moduladora é um cardápio balanceado. Neste momento, determinados alimentos ganham destaque, pois possuem propriedades que estimulam as reações do sistema de defesa, melhorando a produção e atuação dos anticorpos, essenciais no combate a agentes nocivos Estes alimentos, organizados em preparações e receitas facilitam o consumo diário :

  • Potencialize sucos de frutas como laranja, abacaxi, a acerola (fontes de vitamina C, estimulam a produção de glóbulos brancos, estruturas fundamentais para a resposta imunológica e, por consequência, aumentam a resistência a infecções, especialmente respiratórias) com  Vegetais folhosos de coloração verde escura como a couve, o agrião que são ricos em antioxidantes, substâncias capazes de combater a ação de radicais livres (agentes que causam danos às células e facilitam o surgimento de doenças). Além disso, possuem alta concentração de ácido fólico – uma vitamina essencial para a formação dos linfócitos (células de defesa), tanto que sua carência nutricional pode tornar a resposta imune menos eficiente.
  • Alimentos de coloração roxo-avermelhada no cardápio, compondo cremes e caldos quentes, como beterrabas e tomates são ricos em flavonoides, em especial a antocianina. Esses compostos fitoquímicos reduzem a ação dos radicais livres, combatem o envelhecimento precoce das células e ainda melhoram a função imune por aperfeiçoarem a resposta dos anticorpos. Aproveite e use alho e gengibre para temperar estas sopas.
  • A oferta de gorduras boas como o Ômega 3, por exemplo, potencializa o combate aos radicais livres e propicia maior ação anti-inflamatória. Este ácido graxo pode ser encontrado em peixes de águas profundas como o atum e a sardinha, além de estar presente em alguns óleos vegetais, castanhas e nozes.
  • Estamos acostumados com a ideia de que o trato gastrointestinal é o local de digestão e absorção dos alimentos, mas há várias décadas os imunologistas mostraram que a mucosa do intestino aloja a maior coleção de células imunes do corpo e que estas estão em atividade contínua, intensa e silenciosa. Vários componentes da dieta têm ação direta nas células do sistema imune e podem modificar a reatividade imunológica. As vitaminas A (batata doce, cenoura), C e D (ovos) têm ação direta nos linfócitos e em outras células imunes presentes no intestino estimulando sua atividade anti-inflamatória e anti-oxidante.
  • Preparações utilizando creme de abacate regado com azeite extra virgem e sementes são ricas em vitamina E, nutriente que está envolvido nos processos metabólicos de eliminação dos radicais livres, inibindo a formação dos mesmos e seus efeitos nocivos sobre o organismo, além de proteger os eritrócitos de sofrerem a hemólise.

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