ANO: 26 | Nº: 6590
10/04/2020 Opinião

Modos Inacabados de Morrer

Foto: Reprodução JM

Hoje, em plena Pandemia do COVID-19, estamos iniciando um novo projeto aqui no Jornal Minuano. Com esta coluna quinzenal, abriremos espaço para a cultura e principalmente, para os livros. Alguns podem perguntar a relevância em se falar de livros em um momento delicado como esse, mas a resposta é somente uma: livros são essenciais. Arte é essencial. Nesse momento de isolamento social, de que cores seriam nossos dias sem a arte? Como seriam nossos assovios ou as boas lembranças das músicas, das festas, dos cinemas. Tudo é arte.
Como todos sabem, tivemos de adiar a terceira edição do FestFronteira Literária para o próximo ano, porém vamos aproveitar o ano inteiro pela frente para conhecer excelentes autores brasileiros contemporâneos, começando com uma verdadeira retrospectiva dos escritores que já estiveram em nossa cidade, seja no FestFronteira, seja na Feira do Livro de Bagé.
E a nossa primeira dica de leitura é o livro "Modos Inacabados de Morrer" do escritor gaúcho, radicado em Santa Catarina, André Timm, que foi um dos escritores que participou de nossa primeira edição, em 2017.
O autor foi publicado pela editora Oito e Meio, após vencer um concurso literário organizado pela sua editora, Flávia Iriarte.
O romance do Timm chegou causando barulho no mercado editorial ante a originalidade de seu texto. O autor escolheu narrar de um modo pouco ortodoxo, ao invés daqueles narradores em primeira pessoa, já saturados na contemporaneidade, ou dos clássicos narradores em terceira pessoa, esse livro é narrado em segunda pessoa. Isso mesmo, durante a narrativa, o livro praticamente se comunica com o leitor. Podemos dizer que autor vai ao máximo da experimentação com esse tipo de narrativa, algo pouquíssimo utilizado na nossa literatura.
"Modos inacabados de morrer" história do menino Santiago em dois momentos: um aos treze anos, quando além de descobrir o primeiro amor, o jovem descobre ser portador de uma doença chamada narcolepsia, que faz com que ele não tenha controle do seu corpo e desmaie diversas vezes no dia em qualquer momento. As limitações dessa doença transformam o protagonista num sujeito introspectivo e um tanto quanto recluso. O segundo momento trata de todas as consequências dessa vida transformada pela doença e pelo reencontro do Santiago com seu amor de infância e com seu passado dolorido.
O texto do André Timm nos surpreende pela maturidade de um autor tão jovem, mas que já vem a passos firmes trilhando seu caminho no mercado editorial brasileiro. "Modos inacabados de morrer" foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no ano de 2017, e está disponível no catálogo da Biblioteca Municipal. Timm já está com seu novo romance no prelo, o livro "Morte Sul Peste Oeste", será lançado em 2020 pela Editora Taverna.
Quem sabe muito em breve não teremos uma sessão de autógrafos na Rainha da Fronteira? É o que todos esperamos. Até lá, fiquem em casa, se cuidem e estoquem livros.

Rodrigo Tavares nasceu em Bagé, em 1986. Reside atualmente em Porto Alegre e é autor de Ainda que a terra se abra, Andarilhos, Noite Escura, entre outros.

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