ANO: 26 | Nº: 6542
14/04/2020 Esportes

“Espero que em breve eu possa ver os Ba-Guas”, destaca Luciano Hocsman, presidente da FGF

Foto: Divulgação

Mandatário assumiu comando nesta temporada
Mandatário assumiu comando nesta temporada

Já faz que um mês que o futebol gaúcho foi paralisado, em virtude dos impactos da pandemia. Por ser um esporte de massa e com viés profissional, é natural que a ausência do futebol tenha gerado grandes abalos econômicos, no quesito de movimentação financeira e empregos. E isso se aplica ainda mais no interior, que não dispõe do mesmo recurso dos grandes de Porto Alegre. Por essa razão, há uma ansiedade grande para que a bola volte a rolar nos gramados espalhados pelo Estado. Entretanto, há a necessidade de prudência por parte dos gestores responsáveis pelo esporte. E isso se aplica também a nível de informação.
Para esclarecer melhor o panorama da Divisão de Acesso, que estão Guarany e Bagé, o Jornal MINUANO conversou por telefone com o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Luciano Hocsman, que esclareceu vários pontos sobre os trâmites que envolvem o retorno das competições.

Relação com os clubes

Até o momento, a FGF realizou três videoconferências com os dirigentes dos 16 times participantes da Divisão de Acesso. O primeiro passo foi estimar uma data de retorno para a competição. Se o quadro de contágio do coronavírus se manter controlado, a estimativa é de que o certame recomece em agosto. Até o momento, foram realizadas somente três entre as 14 que estão previstas para a primeira fase. Isso sem contar os mata-matas, que incluem quartas de final, semifinal e final. A intenção da Federação é de que o regulamento seja mantido.
Antes de iniciar a competição, a FGF repassou R$ 60 mil para cada clube. Mas, obviamente, a falta de receitas, ocasionada pela pandemia, fez que os dirigentes pedissem um novo “socorro financeiro” à entidade. Como reposta ao movimento, a entidade anunciou que cada um dos 16 times que disputa a Divisão de Acesso receberá, a título de adiantamento, a quantia de R$ 22 mil, com a finalidade de auxílio ao custeio de despesas. O valor corresponde a 35% da verba de ressarcimento, prevista no artigo 42º do Regulamento Específico da Competição. O restante será pago no reinício dos jogos. Ao todo, o montante corresponde a R$ 62,5 mil para cada clube. Os filiados também ficarão isentos do pagamento das taxas administrativas da FGF referentes a registros, rescisão, renovação ou prorrogação de contratos de atletas, até o total de 60 jogadores.
Para arcar com estes valores, Hocsman afirma que o trabalho é fruto de articulação externa com parceiros. “Temos um grupo no WhatsApp, com os dirigentes dos clubes, a fim de trocarmos informações. Toda e qualquer decisão nunca é tomada sem o aval dos dirigentes. De modo geral, eles têm entendido nossos argumentos. Alguns, claro, podem ter pontos de vista contrários. Mas a maioria está sendo bem parceira. Estamos desempenhando um trabalho incansável, com contatos com parceiros para recuperar o que for possível dessa perda de faturamento. Nós também estamos enfrentando dificuldades, com nossas obrigações administrativas”, ressalta.

Contratos trabalhistas

O tema que gera mais dúvidas e ansiedade diz respeito à situação contratual dos jogadores e membros das comissões técnicas. Nesse sentido, Hocsman afirma que foi elaborado um grupo de trabalho, reunindo o Departamento Jurídico da FGF e os advogados que representam as 16 equipes.
Todo o diálogo, segundo ele, tem sido amparado na Medida Provisória 936/20, do governo federal, que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. A decisão possibilita os empregadores a reduzir, temporariamente, salários e jornadas, por até 90 dias, ou suspender contratos de trabalho, em até 60 dias, com direito à estabilidade temporária do empregado e recebimento de benefício emergencial pago pelo governo.
No caso da Divisão de Acesso, os reflexos da Medida Provisória tem relação com a data prevista para reinício da competição, programada para agosto. Uma possibilidade que é levantada entre os clubes é a aplicação da medida nos contratos dos atletas. Num segundo passo, eles receberiam benefício via Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). E, por fim, os vínculos contratuais entrariam em vigor novamente quando retornassem os treinamentos nos clubes.
Nesse contexto, Hocsman, que costuma adotar uma fala prudente, baseado em fatos, ressalta que essa possibilidade passar por uma ampla discussão, entre clubes, FGF, Sindicato dos Atletas Profissionais e poder Judiciário. Ou seja, é preciso que haja a formalização de um acordo. “Também estamos numa articulação com o Tribunal Regional de Trabalho (TRT). Estamos cumprindo todos os trâmites, com cautela, para tomar a decisão mais correta”, enfatiza.

Retorno com portões fechados

Embora Hocsman já tenha a intenção de retomar a Divisão de Acesso, em agosto, não há garantia que os jogos tenham presença de público, inicialmente. “Não descartamos nenhuma hipótese dentro da Federação. Com a retomada em agosto, esperamos que até lá o isolamento social já esteja menos severo, para que o público possa comparecer ao estádio. Mas isso não é algo que dependerá de nós, pois um estádio de futebol é um local que reúne uma grande aglomeração. Então, temos que trabalhar com todas as possibilidades”, observa.

Realização da Copinha

Com a Divisão de Acesso remanejada para o segundo semestre, a Copinha, que este ano foi denominada de Ibsen Pinheiro, foi colocada em dúvida quanto a sua realização. E como ela destina vagas para a Copa do Brasil e série D do Brasileirão, circula, na imprensa estadual, uma possibilidade de que essas vagas sejam remanejadas para os finalistas da Divisão de Acesso, caso a Copinha seja, de fato, cancelada.
Questionado sobre essa possibilidade, Hocsman afirma que a prioridade inicial é a retomada da competição. Essa discussão, segundo ele, será aprofundada mais adiante. “São informações que circulam na imprensa em razão da angústia e ansiedade para se ter definições. Porém, a FGF vai se comprometer em primeiro resolver o calendário. Se não for viável fazer a Copinha, é lógico que não abriremos mão das vagas às competições nacionais que temos direito. Mas depois pensaremos sobre como elas seriam distribuídas”, enfatiza.

Presidente iria assistir os clássicos

Se não tivesse ocorrido a paralisação, os dois clássicos Ba-Guas, válidos pela sétima e oitava rodada, ocorreriam nos dias 29 de março e 5 de abril. No bate-papo com a reportagem do Jornal MINUANO, Hocsman confirmou que tinha intenção de assistir, presencialmente, os dois clássicos. No entanto, quando essa situação se normalizar, cogita manter os planos. “Agradeço pela oportunidade de estar me comunicando com a população de Bagé, que possui dois clubes na competição. Vamos torcer para que essa situação seja normalizada o quanto antes para que aconteça os dois Ba-Guas que estavam programados”, finaliza.

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