ANO: 26 | Nº: 6590

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
14/04/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O que os leitores têm feito na quarentena

Permanecer em casa ou ficar recolhido o maior tempo possível tem sido um desafio enorme para a maioria das pessoas do mundo inteiro por inúmeros motivos que vão desde a necessidade de trabalhar até sentimentos obscuros que surgem ante o confinamento.

Na última semana nesta coluna sugeri que me enviassem as atividades fora do habitual que estão entrando para a rotina de reclusão onde o espaço de casa é vivenciado ao seu máximo. Foi e segue sendo muito divertido receber esse retorno e aqui vão algumas das ações que os leitores compartilharam comigo.
Tenho utilizado meu tempo em casa para:
- Conversar com meu marido que trabalha fora de Bagé, tempos atípicos pois dificilmente tínhamos tempo juntos além do final de semana. Sinto como se, apesar das saídas necessárias, estivéssemos protegidos e não confinados. Descobri que precisava desacelerar, meditações tem me feito relaxar, inclusive aprender a respirar. A propósito não sei como sobrevivi até aqui com uma respiração tão curta.
- Surtar surto por vários motivos diferentes ao dia, por não conseguir ajudar meus filhos com as tarefas da escola, por tanta limpeza e a toda hora que tenho que fazer, quando assisto o Jornal Nacional, por estar tão cansada enquanto muitos estão descansando e, por fim, surto por ficar culpada com meu estresse aumentado quando sei que tem gente pior que eu no mundo.
- Tenho aproveitado para conversar por mais tempo com os amigos, sem correr para encerrar o assunto, tenho tido oportunidade de saber de verdade como muitos deles estão e conversado para além do "Oi, tudo bem? " E as respostas e o efeito disso em mim tem sido inesperadas e muito satisfatórias.
- Estou fazendo cursos on line em áreas de interesse que normalmente não sobrava tempo.
- Aqui em casa a gente malha, atende os clientes um por vez, vê muito filme, faz atividade escolar além de aula de ballet com a neta.
- Estou cansada, nunca tinha ficado tanto tempo trancada em casa e aproveito para organizar tudo o que não conseguia na correria do dia a dia.
- Tenho pensado e falado muito a respeito da necessidade de se reinventar na crise.
- Dormido bastante, cuidado do jardim que estava arrasado e dando bastante atenção ao meu relacionamento que estava mais atirado que o jardim.
- Por aqui fazemos leitura edificante, jogo da velha com cabos de vassoura e bichos de pelúcia, exercícios físicos, testamos novos cardápios (meu marido se descobriu como padeiro) e almoçamos fora (vulgo pátio) no domingo.
Existem muitos outros depoimentos interessantíssimos, em todos eles o desejo de preencher o tempo com coisas além do medo e preocupações, bom humor e reflexões que a mudança inesperada trouxe para a vida de todos. Quero trazê-los, ainda, todos aqui.


"Surto por vários motivos diferentes ao dia"

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