ANO: 26 | Nº: 6544
16/04/2020 Esportes

Badico: “que sirva de reflexão para olharem com mais carinho para os clubes pequenos”

Foto: Antônio Rocha

Técnico comandou Bagé até início de fevereiro
Técnico comandou Bagé até início de fevereiro

Da mesma forma que os demais estaduais, o Campeonato Mineiro também segue suspenso por tempo indeterminado. A competição conta com o bajeense Rinaldo Lopes Costa (Badico), treinador do Villa Nova, situado no município Nova Lima. Assim como os demais, Badico também retornou para casa e aguarda um retorno para definir seus rumos no segundo semestre. Por telefone, o treinador conversou com a reportagem do Jornal MINUANO e falou de diversos tópicos, como a situação do Villa Nova na competição, as impressões quando chegou ao clube, a situação de pandemia e a gestão dos dirigentes e responsáveis pelo futebol brasileiro.

Equipe busca recuperação na tabela

Na primeira fase, o Campeonato Mineiro reúne 12 equipes, que se enfrentam em turno único. Os quatro primeiros se classificam para a semifinal. Já o 11° e 12° são rebaixados. As duas últimas rodadas não foram realizadas a tempo.
Badico chegou ao clube na sexta rodada, após a demissão do técnico Emerson Ávila, com a missão de melhorar o quadro do Villa Nova na competição.  Junto dele, também foi contratado o preparador físico Rodrigo Martins Rosa. Esta é sua terceira passagem pelo time mineiro. As duas primeiras foram como jogador, em 1997 e 1999. Destaque para 1997, quando foi vice-campeão mineiro, superado, na final, pelo Cruzeiro. 
Agora, na casamata, foram quatro jogos no comando da equipe. Na estreia, uma vitória por 3 a 1, fora de casa, diante do Boa Esporte.  Na sequência, o clube sofreu derrotas para o URT, em casa, por 2 a 1; para o Tombense, casa, novamente por 2 a 1, e para o Atlético-MG, de Jorge Sampaoli, por 3 a 1, outra vez em casa.
Na classificação, o Villa Nova está na 11ª, com quatro pontos, na entrada da zona de rebaixamento. Nas duas últimas rodadas, pega o Uberlândia (sétimo, com 11 pontos) e o Coimbra (10°, com sete). Este último poderá ser um confronto direto pela permanência na elite do futebol mineiro. Claro, tudo dependerá do que for definido, futuramente, quanto à retomada do estadual.
Sobre o desempenho, Badico afirma que, ao chegar ao clube, detectou que o principal problema era o aspecto físico. “Na estreia, ganhamos fora de caso, algo que o Villa Nova não conseguia há quatro anos. No segundo jogo, perdemos no finalzinho, aos 41 do segundo tempo. Depois, perdemos em casa para o Tombense que era o vice-líder do campeonato, por 2 a 1, de virada, e acabamos perdendo para o Atlético Mineiro, que foi uma apresentação bem abaixo. Pegamos uma equipe bem superior tecnicamente e que abriu o placar com um minuto de jogo, nos desestabilizando. É uma equipe que teve alguns ajustes e que cresceu. O maior problema foi a questão física, que estava muito abaixo. Embora seja um time com qualidade, fisicamente, estava muito mal e isso atrapalhou o desempenho”, analisa.

Questão contratual e situação na cidade

Conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, atualizados no final da tarde de terça-feira, Nova Lima possui 87.391 habitantes e 44 casos confirmados de coronavírus. Num comparativo com os números de moradores, a pandemia é 'alarmante' na cidade. Por essa razão, Badico afirma que não há nenhum prazo para retorno de futebol no local. “O Campeonato Mineiro continua na mesma situação que os outros campeonatos de todo o Brasil. Segunda-feira conversei, por telefone, com o diretor de Futebol, Luisinho, que me passou a situação de contágio em Minas Gerais. Não existe a mínima ideia de retorno. Porém, a minha situação está totalmente tranquila. A diretoria agiu da forma mais sensível possível. Parabenizo pela forma profissional e humana que resolveu”, declara.

Distribuição de recursos às equipes menores

Na conjuntura atual, o futebol não deve ser retomado tão cedo. E o cenário preocupa os clubes, no aspecto financeiro, principalmente os pequenos, do interior. Questionado sobre o assunto, Badico deixou claro sua opinião frente aos gestores do futebol brasileiro. “Espero que, com essa crise sirva para que o órgão maior, que organiza e determina as regras das competições, olhe com mais carinho os clubes pequenos. São os que enfrentam as maiores dificuldades, e nunca são amparados pela CBF. Eles não têm a mínima condição de fazer futebol. A parte financeira nunca está de forma efetiva, proporcionando que os dirigentes possam olhar lá na frente e se organizarem. O que chega ao interior são pequenas contribuições que, para mim, são simbólicas”, argumenta.
E com todas as dificuldades dos clubes, que têm sido expostas, diariamente, na imprensa, a esperança de Badico é de que isso sirva para reflexão. “Acho que a mentalidade de gerir o futebol e, em segundo plano, das federações, teria que ser de uma forma justa, que contemplasse todos os clubes. Assim, poderiam se organizar e construir categorias de base mais fortes para que puder suporte. Jogadores seriam formados para equipe principal ou, também, serem colocados num mercado nacional. Logo, o clube teria retorno. Os clubes que não são grandes sobrevivem apenas por causa dos seus corajosos dirigentes”, explana.

Falta de representatividade da categoria

Por fim, em meio a essa falta de organização do futebol brasileiro, Badico também criticou a representatividade da categoria dos jogadores. “Eu também fui atleta e acho que o sindicato teria que ser muito mais atuante, para poder dar um suporte maior. A questão dos técnicos, que é outra categoria também abandona, não tem suporte nenhum. Dentre essa série de fatores, independente do que vai acontecer daqui para frente, é um momento de se fazer essa reflexão. Hoje, tudo é incerto e preocupante”, finaliza.

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