ANO: 26 | Nº: 6590

Fernando Risch

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Escritor
17/04/2020 Fernando Risch (Opinião)

Responsabilidade

Numa sociedade democrática, em seus diversos círculos, líderes são eleitos para assumirem responsabilidades sobre o todo. Estes líderes estão inseridos em diferentes esferas, para que as esferas conversem entre si e nenhuma delas se sobreponha à outra. Essa conversa se chama democracia. Mas nós não estamos falando em democracia, estamos falando de responsabilidade.

Estes líderes têm poder na caneta e poder na palavra. Seus atos impactam na vida do todo, que, no caso, é a sociedade. Em tempos difíceis, como estes em que vivemos, estes líderes precisam tomar as rédeas e gerir o bem estar da população com as medidas que forem necessárias. Muitas vezes, impopulares.

Mas não são apenas os eleitos que são responsáveis. Estes indicam o caminho, tangem o passo para que todos trilhem numa mesma direção, que, teoricamente, é a mais correta, mesmo que mais difícil. Assim, cada indivíduo tem igual poder de responsabilidade para com o problema total.

Há um porém. Parafraseando George Orwell, todos os bichos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. Desta forma, existem indivíduos não eleitos pela coletividade que exercem um poder tal qual tivessem sido. Impõem suas vontades ao todo utilizando outras formas de poder. Pode ser dinheiro, prestígio, popularidade, desinformação ou truques de mágica. Cada qual se utiliza do seu método.

Estes seres de poder são uma unidade como qualquer outra no todo e não deveriam tutelar a democracia se utilizando de métodos que não fossem os democráticos, mas sabemos que isso é besteira e acaba de forma inevitável acontecendo, todos os dias, em todos os lugares, em todas as esferas. Vou dar um exemplo. Imagine o ex-Ministro Ayres Britto criticando Dias Toffoli. Não sei se aconteceu, mas poderia acontecer. É só um exemplo.

Então, quando isso acontece, quando um gigante se surge no meio dos anões e resolve embater poder com poder, ele acaba não apenas dividindo a responsabilidade com os verdadeiros responsáveis, mas assumindo as rédeas que não são as suas. Eles tornam-se líderes temporários de bandeiras que fingem ser do interesse coletivo, mas são de cunho pessoal.

Acuado, o líder eleito recua, aceita e transfere a responsabilidade àquele que quis assumi-la. Depois que isso acontece, quem julga é a história.

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