ANO: 26 | Nº: 6526

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
21/04/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Isolamento social versus isolamento afetivo

Em tempos normais ao se falar sobre saúde mental, prevenção e atenção à depressão salienta-se o quanto o isolamento deve ser combatido e o quanto ele é prejudicial. Isolar-se em momentos de fragilidade emocional pode acabar por potencializar e relativizar os aspectos mais obscuros do pensamento e dos sentimentos. Sem o contraponto de um amigo ou familiar, podemos acabar esgotando apenas um lado da moeda, pensando e revivendo demasiadamente o mesmo tema. É sempre recomendado o convívio, o contato e o cultivo dos laços afetivos e sociais favorecendo o "descanso" da mente, o expressar-se, desabafar sobre o que aflige e visão de mundo dando chance para o retorno do outro. Esse vai e vem de informações é favorável à saúde emocional promovendo reflexão e aprendizados.
Mas não vivemos tempos normais...
Torna-se necessário inventar outras formas de ser próximo afetivamente enquanto distante fisicamente, por sobrevivência e responsabilidade social. Neste momento em que o mundo enfrenta os efeitos da contaminação em massa do novo coronavírus sem vacina e sem tratamento medicamentoso eficaz e específico a única forma de combate plausível é exatamente o distanciamento ou isolamento social. Mudar temporariamente hábitos como visita, abraço, beijo e aperto de mão, além do sair de casa despreocupadamente, pode mexer com nosso equilíbrio emocional. É preciso distinguir isolamento social de isolamento afetivo. Sabe aquela situação que mesmo numa multidão a gente se sente completamente solitário, existe um monte de gente a nossa volta, alguns até bem próximos fisicamente, mas ninguém parece se importar, ninguém nos conhece e experimentamos um grande sentimento de vazio ou até mesmo pânico? Pois então, este é o isolamento afetivo.
Devemos buscar temporariamente o distanciamento social ao máximo possível, quando imprescindível estar fora de casa redobrar os cuidados de higiene, máscara, luvas, álcool gel etc, e lutar com o mesmo empenho para vencer o isolamento emocional. Buscar contato por mensagens, ligações, chamadas de vídeo e outras invenções mais que a necessidade de proximidade afetiva e a criatividade de cada um permitir. No mundo todo há notícias de vizinhos que jamais se falaram antes conversando aos gritos de suas sacadas ou deixando cartazes e bilhetes em locais públicos para qualquer pessoa que por ali passar. É a necessidade de contato, comunicação e ligação entre as pessoas. É a vida mostrando o que é primordial, o que realmente é necessário e indispensável. Somos basicamente sociais e precisamos passar por este momento aprendendo a ser próximos ainda que de longe, respeitosos mesmo que divergentes. Precisamos ser afetuosos e encorajadores, não só com quem amamos, para que haja disposição e resiliência disponíveis enquanto o isolamento físico se fizer necessário. E se sobrar um pouquinho dessa atmosfera para além da pandemia, melhor ainda, assim teremos aprendido alguma coisa.


Somos sociais e precisamos
Passar por este momento

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