ANO: 26 | Nº: 6589

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
24/04/2020 João L. Roschildt (Opinião)

Quebra-galho

Para a mentalidade revolucionária, nenhuma destruição é suficiente. Não existe fogo que possa satisfazer o incêndio de seus instintos selvagens. No âmago da eterna rebeldia sem causa, sempre existe um obstáculo que deve ser rompido para a sociedade atingir a sua plenitude.

Como únicos virtuosos na Terra, os revolucionários vislumbram partes de suas agendas ideológicas em todas as áreas da vida. Politizam o ânus, o roubo, a família, a arte, a educação, um vírus e qualquer ato humano. Sem pudores, sempre justificam suas ações com base em um processo fantasioso de leitura da sociedade. E nunca brincam em serviço, afinal, as perversas influências contemporâneas de suas ideias podem ser vistas em toda parte.

Em uma transmissão ao vivo do programa GShow, realizada pelo Instagram, a apresentadora Fátima Bernardes cometeu um erro crasso. Ao comentar sobre um jantar realizado, ela disse: “Aí a gente tá aqui jantando, todo mundo, Wiii, ã..., Túlio, é..., Vinicius, Laura, Beatriz...”. Imediatamente todos souberam que naquele momento Fátima teve um grande “lapso” de memória. Talvez recordando-se de bons momentos; talvez por força do hábito; ou talvez por alguma recaída. Ninguém sabe. O fato é que ao pronunciar “Wiii”, ela fez referência ao seu ex-marido, o renomado apresentador William Bonner. A correção imediata para “Túlio”, orientava sua fala para seu atual relacionamento, com o político Túlio Gadêlha, mais conhecido como “Namorado da Fátima Bernardes”. Mas até aqui, o quiproquó pertence a vida privada de ambos. Ou dos três envolvidos, sabe-se lá, afinal, não há impedimento algum para triângulos amorosos ou relacionamentos abertos...

Claro que com a jocosa repercussão do fato, restou a Gadêlha pronunciar-se. E como todo bom esquerdista, não perdeu tempo e criou uma narrativa. Assim, o deputado federal foi ao Twitter “explicar” a confusão: “Definitivamente, o ser feminino é um ser mais evoluído. O que leva um homem adulto a se sentir ofendido porque sua companheira, por engano, falou o nome do ex-companheiro? Não é infantilidade. É sentimento de posse. É machismo estrutural. E é insegurança também”. Esbanjando charme e amor, fez um elogio a todas as mulheres e decretou uma desigualdade evolucionária entre os sexos. Com enorme segurança, criticou todos os homens que em algum momento de suas vidas, magoaram-se pela troca de seus nomes pelo de ex-companheiros. Será que na cama, durante o ato sexual, Túlio aceitaria ser chamado de William, por engano? É só uma curiosidade. Por fim, decretou com todas as letras que o homem ofendido por tal troca nominal, é um representante do “machismo estrutural”, um indivíduo tosco que imagina estar na posse de sua mulher.

Ou seja, não há espaço para a tristeza afetiva quando Aristides é chamado de Ortobaldo. Caso Ari sinta-se insultado, será um machista de carteirinha. Na ótica “gadelhiana”, a passividade de Ari demonstrará sua segurança e maturidade. Mas, como o esquerdismo tem o hábito de chamar ditadura por democracia, imaginar que sexo é uma construção social, rebatizar a legalização do aborto para garantia de direitos sexuais e reprodutivos, e todo sortilégio linguístico que altera tiranicamente o significado da realidade, não é surpreendente que a mágoa amorosa possa se transformar em ato machista de opressão às mulheres.

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