ANO: 26 | Nº: 6590
25/04/2020 Fogo cruzado

Hamm classifica saída de Moro do governo como 'perda para todo povo brasileiro'

Foto: Divulgação

Progressista recordou atuação do ex-ministro no combate à corrupção
Progressista recordou atuação do ex-ministro no combate à corrupção

A saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, anunciada na manhã de sexta-feira, gerou reações no meio político. No Senado e na Câmara dos Deputados, parlamentares da base lamentaram a decisão. Integrantes da oposição elevaram o tom, cobrando explicações sobre declarações relacionadas à postura do presidente da República, Jair Bolsonaro. O único representante da região no Congresso Nacional, deputado federal Afonso Hamm, do Progressistas, também se manifestou.
Em manifestação nas redes sociais, Hamm classificou Moro como 'o grande responsável pelo combate contra a corrupção no Brasil'. “Como ministro da Justiça, apresentou o Pacote Anticrime, que combate a impunidade no cumprimento de penas. Considero que a saída de Moro não é uma perda para o governo, mas, sim, para todo povo brasileiro. Seguimos torcendo pelo país”, pontuou.


Interferência política
Moro convocou a imprensa para adiantar seu pedido de demissão. A saída do governo foi definida após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Leite Valeixo, formalizado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Valeixo era indicação de Moro.
Moro, que comandou as investigações da Operação Lava Jato, aceitou convite de Bolsonaro para integrar o primeiro escalão de governo em novembro de 2018. Para assumir o ministério, o então juiz federal abandonou uma carreira de 22 anos na magistratura, com 'a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado'.
O ministro afirmou que a autonomia da Polícia Federal, qualificada como uma premissa básica, foi fundamental para a Operação Lava Jato. Em pronunciamento, ele ainda destacou que, em 2018, Bolsonaro havia prometido 'carta branca' para nomear assessores. “O foco sempre foi o combate à corrupção”, garantiu, ao salientar, ainda, que não assumiu a pasta com acordo para futura indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Moro revelou, também, que chegou a indicar um novo para o cargo de Valeixo. “Fiz a sinalização, mas não obtive resposta”, lamentou, ao salientar que 'o problema não é quem colocar, mas por que trocar e permitir que seja feita a interferência política na Polícia Federal'. “O presidente me disse que queria ter alguém para quem pudesse ligar e colher informações. E esse não é o papel da Polícia Federal”, reforçou.


Bolsonaro rebate
Em manifestação ao final da tarde, Bolsonaro disse que conversou com Moro na véspera da exoneração de Valeixo, procurando um consenso para definição de um substituto. O presidente afirmou que conversou poucas vezes com Valeixo, salientando que informou a Moro que o diretor seria exonerado. “Falei que queria um delegado com que pudesse interagir. Sempre procuro um ministro, mas, em uma necessidade, procuro o primeiro escalão daquele ministério”, exemplificou, ao salientar que nunca pediu informações sobre 'o andamento de qualquer processo'. Sempre cobrei informações dos demais órgãos de inteligência oficiais do governo, como a Abin”, garantiu.
Em pronunciamento ao lado dos ministros, Bolsonaro fez críticas à atuação de Moro, mencionando a condução de investigações. Rebatendo o ex-ministro, Bolsonaro frisou, ainda, que sempre deu plena liberdade aos ministros, mas sem abrir mão do poder de veto, observando que havia deixado claro qualquer indicação para cargo da pasta demandaria 'sinal verde' do próprio presidente, refutando a versão de que teria agido, no caso da exoneração de Valeixo, para viabilizar interferência política na atuação da Polícia Federal. “Mantive diálogos republicanos com todos os ministros. Mantive o respeito. Sempre fui leal. Estou decepcionado e surpreso. Não são verdadeiras as insinuações (de Moro)”, reforçou.

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