ANO: 26 | Nº: 6589

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
05/05/2020 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Cartas, uma necessidade que renasce

Uma carta bem ou mal escrita, contendo sentimentos verdadeiros e uma visão pessoal da vida e do mundo, faz toda a diferença. Suscita mudanças de ponto de vista, de pensamentos e julgamentos, sugere reflexão, inspira, esclarece, atenua, conforta, muitas vezes é praticamente um abraço que se manifesta de uma forma diferente. Um recurso de comunicação utilizado há muito tempo, explorado pelo cinema e pela literatura que novamente recebe relevância nesse momento global que estamos experimentando.
Tendo um pouquinho mais de tempo livre ou não, seja pela mudança repentina da rotina, seja pela dificuldade de comunicação, ou pela necessidade de reclusão, por vontade de falar, ou conteúdos a explicar vale a pena escrever uma carta. Há cartas banhadas em perfume, outras em lágrimas, anônimas ou na garrafa, enviadas em forma de bilhetes, desenhadas, ditadas ou em áudio.
Escreva uma carta hoje, agora, uma por dia, por semana, escreva e guarde, escreva e envie, escreva e elimine, mas escreva, os benefícios são inegáveis e excelentes - exercício de expressão e conexão de ideias, colocação de pontos de vista em perspectiva, memória, afetividade e resolutividade. O mais importante detalhe da escrita é a auto revelação uma vez que, numa boa carta, sempre vai também um pouco de nós mesmos por escrito, se chegar ao destino duas pessoas serão beneficiadas, se não, quem tomou a iniciativa já saiu ganhando.
Escreva uma carta:
De amor, caprichada, com papel escolhido, com letra desenhada, com clichês e poesias copiadas ou criadas melhor ainda.
De notícias, daquele tipo que conta e pergunta minuciosamente detalhes importantes do dia a dia, tranquilizando e levando esperança para quem recebe.
De amizade, expressando sentimento e valor, momentos inesquecíveis dos mais óbvios aos mais inusitados. Para um amigo perdido que o tempo, circunstâncias, mal-entendido ou desconforto afastou de nosso convívio, e também para aqueles amigos do dia a dia sempre presentes.
Escreva para pai, mãe, filhos, de agradecimento, de bronca de alerta de orientações, o que é necessário dizer a eles? O que precisa ser dito e sempre fica para depois?
Dirija-se ao futuro emanando esperanças e expectativas, ao passado fazendo as pazes consigo mesmo e as escolhas feitas.
Uma missiva ao portador, experimente começar com as palavras "a quem interessar possa..." Pode surpreender as ideias que surgirão a partir daí.
Cartinha para a criança que eu fui, outra para a pessoa que serei no futuro com data para ser aberta daqui a um tempo...
Escreva umas linhas ao tempo, à ansiedade, ao mundo. Por fim, escreva a si mesmo a carta que gostaria de receber. O que fazer com tudo isso? Depois de escrever as respostas vêm!


"A quem interessar possa..."

 

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