ANO: 26 | Nº: 6524

Viviane Becker

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Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
09/05/2020

Heloisa Beckman: artista plástica, fomentadora da cultura e da arte em Bagé

Foto: Arquivo pessoal

Recebendo o carinhos dos filhos George, Rachel e Diogo
Recebendo o carinhos dos filhos George, Rachel e Diogo

 

Aos 69 anos, a filha de Dona Rachel, Heloisa Beckman é mãe de Rachel, Diogo e George, avó de Joaquim, Bento, João e Santiago. Nascida em Bagé, cidade considerada de  seus encantos. Professora aposentada, é formada em Desenho e Plástica, Educação Artística e Ciências Sociais.

Sempre participou dos diversos grupos culturais da cidade: NPHTT, Ecoarte, Associação Pró-Santa Thereza, Associação dos Amigos da Casa de Cultura Pedro Wayne, Compreb, Sociedade Espanhola de Bagé. Também desenvolve  a pesquisa documental  em relação ao patrimônio humano, natural e construído da região. 

Heloisa conta que a ligação com a arte começou desde muito pequena, estimulada pelos pais a criar. Sempre teve papéis e lápis de cor. A infância se dividia entre a casa, o colégio, os amigos e as brincadeiras na rua.Tempo de sapata, saquinho, bolita de vidro. Andar pelos bueiros  subterrâneos da cidade. Atrapalhar o futebol dos guris jogando pedra com bodoque. Fugir de casa para ver os ensaios do circo...

- Faltando pouco para o Dia das Mães responda, ser mãe é... a melhor coisa que me aconteceu...meus filhos sabem que sempre tiveram e terão o lugar mais importante e sagrado na minha vida.

- Dona Rachel, um dos grandes nomes da arte produzida em Bagé, certamente um exemplo e inspiração para ti.  Que ensinamentos deixou e que leva para tua vida? Minha mãe foi dedicada à família e à arte. Apaixonada pela vida. Carrego no meu DNA toda essa herança dos pais e avós. Avô espanhol que tocava violino, avó finlandesa que pintava, avô sueco que pesquisava e criava. Minha mãe, em épocas que as mulheres ainda não saíam para estudar fora de Bagé, foi para Porto Alegre cursar Belas Artes. Sempre desenhando e pintando, o que encantava os filhos. Contava histórias e filmes. O preferido nosso era “Lili Marlene”, que fazia eu e meus irmãos chorarmos de emoção e no dia seguinte pedir de novo. E assim a gente vivia bem entre o riso e o choro. Lembro de um rádio de olho verde e minha mãe chorando ao escutar Flavio Alcaraz Gomes, narrar a morte de Chessman, o bandido da luz vermelha, na câmara de gás. Lá chorava eu, pelo Chessman, imaginando o que seria uma câmara de gás...Meu pai era caseiro e muito inteligente. Explicava os planetas e o Universo, os buracos negros, o funcionamento das coisas. Lembro que fez um bloco com desenhos para explicar o movimento. Aquele bloquinho com imagens, passando rapidamente, fazia as imagens se movimentarem.

 

-Que filme assistiu ultimamente? Nesta semana assisti, com meu filho Diogo, “Temporada de Caza”, filme argentino e que se passa na Patagônia, com paisagens incríveis. O cinema argentino me encanta. O ótimo “ Cidadão Ilustre” tem a nossa cara.

- Se pudesse dominar uma habilidade que não tem agora, qual seria? Gostaria de dominar os programas gráficos de computador, para criar novas propostas, novas imagens...

- Se não fosse artista, com o que  gostaria de trabalhar? Eu gostaria de ter uma marmoraria, teria prazer e deslumbramento ao trabalhar na lapidação de pedras. Uma das coisas mais bonitas do universo são as pedras com suas cores variadas e seus veios...

- Como prefere gastar seu dinheiro: objetos ou experiências? Sempre experiências. Na verdade, sempre gostei de viajar. Viajo muito com meus filhos e eles têm esse mesmo prazer: o de conhecer novos lugares, maneiras de viver, antigas e permanentes culturas,  novos sabores, paisagens...

- Você tem alguma fobia? Não gosto de altura, gosto dos pés no chão...

- O que não pode faltar no seu dia-a-dia? A luz do sol!

- O que te faz ser mais grata pela sua vida? O almoço aos domingos com a filharada e os netos...

- Qual a palavra mais bonita da língua portuguesa? Amora

- O que te tira do sério: A mentira

- Você não vive sem: Mus amores

- Qual o melhor dia do ano? Natal, família reunida, agradecimento a Deus pelas bênçãos recebidas, troca de afetos.

- A melhor invenção da humanidade? O uso da inteligência nas grandes descobertas beneficiaram a humanidade nas áreas da tecnologia, comunicação,  vacinas, transporte, etc, assim como os estudos na área da psicologia e comportamento. Mas o aior impacto que eu tive foi na chegada do homem à lua com a Apollo 11, em 69. Antes disso, outra emoção, saber com Gagarin que a terra é azul! Lembro disso porque meu pai já cuidava a órbita dos sputniks no céu e nos mostrava!

- As suas regras pessoais que nunca quebra? Sempre assumo o que faço e geralmente digo o que penso.

- Qual a sua peça de roupa favorita? Calça comprida

- Nestes últimos dias, o que mudou na sua vida que vai levar para sempre? O distanciamento, a falta dos abraços e beijos.

- 2019 foi bom e 2020 será muito melhor quando estiver com meus filhos, netos e enteados em Colônia de Sacramento,comemorando meus 70. E para 2021 estou organizando o projeto Retrospectiva 70, com exposição de obras e catálogo impresso apresentando uma biografia visual com as diversas fases da minha produção.

- O mundo estava precisando.... SER mais cuidadoso, especialmente em relação às nossas reservas naturais e ao nosso meio ambiente, e menos em TER.

- Sentimento para definir esse momento? Tempo de repensar, valorizar o que realmente é  importante na vida.

- Quais os maiores desafios da sua vida no momento? Chegar aos 80 com saúde física e mental!

- Como avalia a área da arte após o Covid-19? Haverá alguma mudança na forma das exposições? Trabalhando na Casa de Cultura Pedro Wayne, o que me deixa muito feliz, pois sempre gostei de trabalhar, estamos organizando algumas ações virtuais para assinalar o mês da Padroeira Nossa Senhora Auxiliadora.E sendo o pessoal da arte e da cultura  muito criativo, e a Secult propondo alternativas  para continuarmos a mostrar as mais variadas formas de expressão, estamos driblando o covid.

Reflexão: Considero perfeito o atual momento para citar Santa Thereza DAvila

"Nada te perturbe, Nada te espante,

Tudo passa, Deus não muda,

A paciência tudo alcança;

Quem a Deus tem, Nada lhe falta:

Só Deus basta".

 

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