ANO: 26 | Nº: 6527

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
14/05/2020 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

O SUS pode fazer a diferença

Nesta terça-feira (12) que passou, um jornal da capital trouxe uma reportagem cuja principal personagem era uma chef de cozinha gaúcha que mora há mais de 20 anos em Nova Iorque, nos Estados Unidos e que, abalada com a tragédia da epidemia da Covid-19, resolveu voltar para o Brasil. A personagem foi infectada pela Covid-19 e precisou ser tratada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ficou 35 dias internada e passou boa parte deste tempo em atendimento intensivo. Tudo financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o maior sistema público de saúde do mundo. Ao sair, declarou: "lá, não teria sobrevivido"

Como todo mundo está acompanhando, a tragédia do novo coronavírus se abate sobre todo o mundo com grandes repercussões. O número de infectados e mortos é cada vez maior, o que, evidentemente, gera preocupações em todos. De formas diferentes, a maior parte dos países têm feito esforços muito grandes para primeiro evitar o contágio, através da estratégia do afastamento social, e em seguida reforçar suas estruturas de saúde para atender a parcela que, infelizmente, precisará de atendimento especializado, em muitos casos um atendimento intensivo, em CTIs de hospitais. Em lugares que não há sistemas públicos efetivos, como nos EUA, isso é muito mais difícil para quem não tem capacidade econômica.

O SUS foi criado pelos deputados constituintes em 1988. Exatamente, no dia 17 de maio daquele ano, na 267ª sessão da Assembleia Nacional Constituinte. O objetivo foi garantir um atendimento de saúde público, gratuito e universal para todos os brasileiros baseados em princípios de equidade e integralidade. De lá para cá, houve muitas evoluções no SUS e, nos últimos tempos, infelizmente alguns retrocessos.

Como prefeito, entre 2001 e 2008, fui parceiro para a instalação de várias das ferramentas do SUS em nossa cidade. A primeira delas foi o Programa Saúde da Família (PSF), que depois assumiu a denominação de Estratégia Saúde da Família (ESF). Esse programa, vejam vocês, foi inspirado na, já famosa na época, experiência cubana de atendimentos domiciliares e acompanhamento preventivo. Ele foi implantado e consolidado ainda na gestão do tucano FHC. Recebi, como prefeito, o ministro José Serra em nossa cidade para lançarmos juntos o programa por aqui.

Depois, implantamos também o SAMU, o atendimento de urgência que garante deslocamentos seguros de pacientes em trauma ou em colapso para hospitais e tem garantido o salvamento de milhões de brasileiros em todo o país. Neste ponto, Bagé foi pioneira no Rio Grande do Sul, tendo sido a primeira cidade do interior do estado a implantá-lo. Os resultados estão aí, para todos verem.

Existiram muitos outros programas para proteger crianças, recém nascidos, doentes crônicos, idosos, dependentes químicos, etc. E tudo sempre acompanhado com a ampliação da estrutura, com a implantação das Unidades Básicas de Saúde, da UPA, da garantia do atendimento gratuito e universal em hospitais, distribuição de medicamentos, a ampliação do número de médicos, através do Mais Médicos. Quando governamos o município e também o país, o sistema público de saúde foi reforçado e ampliado. Isso ninguém pode negar.

Nos últimos tempos, porém, na sequência do golpe que retirou do governo a presidente Dilma, os governos federais que a sucederam vêm retirando recursos do SUS, ampliando ainda mais o seu subfinanciamento. Sem o dinheiro da União é sempre mais difícil garantir os recursos necessários para fazer a saúde púbica funcionar como precisa. Estima-se que apenas a Lei do Teto dos Gastos, que impediu ampliação de recursos para várias áreas, inclusive para a saúde, o SUS deixou de receber algo em torno de R$ 20 bilhões nos últimos três anos. Essa política também foi acompanhada pelo estado após o governo Tarso, que foi o primeiro governador que garantiu 12% de investimentos em saúde, e por muitos municípios gaúchos.

Mesmo em crise, porém, o Sistema Único de Saúde está forte e capilarizado e isso tem feito a diferença para o atendimento de muitas pessoas que não têm recursos para ter um Plano de Saúde ou podem bancar atendimento privado. Em Bagé isso é particularmente visível. O SUS é uma das coisas mais fundamentais que a democracia nos legou e um modelo de saúde pública que precisa ser reforçado. No próximo domingo (17/5) ele completa 32 anos de existência. Vamos trabalhar para que ele viva muito mais e supere suas fragilidades. Só assim enfrentaremos de uma forma mais eficaz tragédias como esta pandemia que estamos vivendo. Viva o SUS!

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