ANO: 26 | Nº: 6576

Fernando Risch

fegrisch@gmail.com
Escritor
16/05/2020 Fernando Risch (Opinião)

Ciclone

Há muitos anos, um sujeito tinha um plano audacioso. Em meio a uma crise, que podemos chamar praticamente de uma guerra, dentro da sua mente perturbada, ele criou uma série de inimigos os quais, para resolver um problema estritamente pessoal, precisariam ser eliminados. Mas eram muitos e não seria simples. Para tal, ele gastou muito dinheiro comprando um produto especial, um tal de Ciclone.

Este evento, que durou alguns anos, ficou marcado. Provavelmente seja o maior ato de crueldade da história, pelos motivos, números finais e, principalmente, pelos procedimentos usados.

Isso tudo, é claro, é passado. Existem até museus para relembrar tal evento. Mas eu me pergunto o que aquele sujeito faria se simplesmente, para concretizar seus planos, ele precisasse não fazer nada. Bastasse que enfiasse seus ditos inimigos, criado de ódios pessoais, em guetos apertados e periféricos e observasse tudo acontecer, com sardônicas brincadeiras ao se pronunciar ao público.

Será que aquele sujeito faria isso? É provável. Ele não tinha compaixão com a vida humana ao aplicar seu Ciclone, de letra B. Ele chegava ao gabinete, e imagino eu, olhava para um de seus funcionários de alto escalão e falava: "Hjalmar, pode comprar mais", e o funcionário ia lá e comprava.

Sequer tenho certeza que o rapaz se chamava mesmo Hjalmar, mas devia ser este seu nome, e se fosse, certamente esse tipo de funcionário sempre se preocupa com dinheiro, tem certa fixação bancária. Imagino que ele varasse noites em claro calculando e calculando. "O que os acionistas dirão?", mas a ordem veio e ele precisava cumprir. Neste sentido, de cifra sobre cifra, no custo total da operação, o tal funcionário chegaria a passar vergonha tal a quantidade de dinheiro gasto com o tal Ciclone.

Se vivos estivessem, e ainda bem que não estão, olhariam para exemplos presentes e salivariam, apesar de se sentirem enciumados com o trabalho realizado pelos atuais descendentes de sua índole. "Veja, Hjalmar. Veja como é fácil. Ele não precisa fazer nada".

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