ANO: 26 | Nº: 6590
19/05/2020 Segurança

Assassinato de jovem motiva retorno de toque de recolher; veja como a polícia apura o crime

Foto: Reprodução JM

Vídeos publicados em redes sociais mostravam elevada aglomeração momentos antes do crime
Vídeos publicados em redes sociais mostravam elevada aglomeração momentos antes do crime

Com as flexibilizações anunciadas pelo prefeito Divaldo Lara, as perspectivas para Bagé eram positivas, visto às possibilidade de que, aos poucos, a rotina na cidade pudesse retornar ao normal. O último final de semana também foi marcado como o primeiro após a suspensão do toque de recolher. Contudo, além de ser o primeiro, também foi o último. O grande número de aglomerações nas ruas, reforçado pelo caso de homicídio registrado na madrugada de segunda-feira, influenciou com que o chefe do Executivo voltasse a adotar medidas restritivas no “ir e vir” dos bajeenses. E, dessa vez, com determinações ainda mais rígidas.
Desde o final da tarde, o movimento era intenso na avenida Sete de Setembro. Em dias normais, é comum que os carros estacionem, abram os porta-malas e liguem sons altos. Aliado a isso, os “rota bares” funcionam a pleno vapor, com consumo de bebidas alcoólicas. Nos finais de semana, a movimentação se estende em meio à madrugada. Só que a diferença é que os dias atuais fogem de serem normais.
Com 35 casos confirmados (até o fechamento desta edição), Bagé estagnou a situação nas últimas semanas. Entretanto, o cenário ainda é alvo de preocupações. Portanto, assim que a circulação nas ruas foi flexibilizada, a expectativa do poder público municipal era de que a movimentação fosse moderada, em virtude de todas as restrições de saúde que estão em vigor no mundo inteiro.
No entanto, o movimento na avenida Sete de Setembro, principalmente na quadra da Praça da Esportes, no mínimo, era o mesmo, em termos de proporção de pessoas, de dias movimentados no verão. E foi no meio dessa aglomeração que ocorreu o quinto homicídio do ano em Bagé. Por volta das 0h20min, a Brigada Militar foi acionada para atender um caso de um jovem baleado, justamente na quadra da Sete de Setembro que fica situada em frente a Praça de Esportes.
Ao chegarem ao local, conforme consta em boletim de ocorrência, os policiais efetuaram alguns disparos de calibre 12, com munição não-letal, para dispersar a aglomeração que estava em volta do jovem. Na sequência, os agentes se aproximaram do corpo da vítima, identificada como Jonathan da Rosa Gomes, de 23 anos. De imediato, identificou que o jovem já estava morto. Informações de testemunhas que viram o fato, dão conta que Jonathan foi atingido por cinco tiros.
Ainda por cima, o relato de testemunhas aponta que os disparos teriam sido feitos pelo ex da namorada de Jonathan. E, em seguida que efetuou os disparos, o acusado, que vestia um moletom preto, fugiu pela rua Félix da Cunha, em direção a avenida General Osório, antes mesmo da viatura da Brigada Militar chegar ao local. Posteriormente, o espaço foi isolado e o Departamento de Criminalística, de Santana do Livramento, foi acionado.

Investigações estão avançadas, aponta delegada

Assim que houve atendimento de ocorrência, a 2ª Delegacia de Polícia Civil iniciou o processo de investigação, sob a responsabilidade da delegada Carolina Funchal Terres, que assumiu o comando neste mês. Em contato com o Jornal MINUANO, ela afirmou que as investigações estão avançadas e que o inquérito deve ser concluído em breve. “Na questão de autoria, as investigações já estão bem adiantada. Ouvimos testemunhas até as 4h da madrugada”, ressalta.
Durante a segunda-feira, novos depoimentos de testemunhas foram colhidos pelo Setor de Investigações, entre eles, o da namorada da vítima. Com base em todos os relatos e fatos no caso, a tendência é que o mandado de busca ao acusado possa ser aberto nos próximos. “Não podemos passar mais detalhes para que não atrapalhe a investigação. Porém, a tendência é que, em breve, possamos concluir o caso”, garante.

"Talvez, esse crime não teria acontecido se tivesse o toque de recolher", avalia

A nova delegada se mudou para a Rainha da Fronteira, definitivamente, na quinta-feira passada. Antes, atuou oito anos em Canoas, alguns meses em Porto Alegre e, recentemente, estava em Alvorada. Por isso, afirma que ainda está em fase de adaptação com a cidade. No entanto, nesses poucos dias, afirma que o comportamento da população, durante o final de semana, lhe causou estranheza. “Fiquei chocada com quantidade de público jovem nas ruas, tarde da noite. E nenhum deles usava máscara. Isso me causa estranheza, ainda mais que estamos passando por um momento de combate a uma pandemia”, afirma.
Pouco mais de 12 horas depois do assassinato, o prefeito voltou atrás e retomou o toque de recolher a cidade. O ato de rever a decisão foi elogiado pela delegada. “Parabenizo a atitude, pois o toque de recolher é necessário no momento atual. Inclusive, talvez, esse crime não teria acontecido se tivesse o toque de recolher na cidade”, finaliza.

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