ANO: 26 | Nº: 6524
21/05/2020 COVID-19

Como os municípios da região sem casos confirmados estão controlando a pandemia

Foto: Divulgação/Prefeitura de Lavras do Sul

Durante realização de um evento de comercialização de gado, Prefeitura de Lavras do Sul realizou uma barreira de desinfecção dos automóveis
Durante realização de um evento de comercialização de gado, Prefeitura de Lavras do Sul realizou uma barreira de desinfecção dos automóveis

Na última sexta-feira, a região foi pega de surpresa com a atualização da contagem de casos de covid-19 feita pela Secretaria da Saúde do Estado. No site, o novo boletim epidemiológico registrava um caso confirmado em Hulha Negra e oito em Lavras do Sul, municípios que, até então, não haviam confirmado nenhum suspeito. A notícia gerou mobilização, principalmente, entre a população dos dois municípios em questão, já que não havia nenhuma confirmação por parte do Executivo. Contudo, algumas horas depois da atualização do site, a 7ª Coordenadoria Regional de Saúde (7ª CRS) emitiu um posicionamento, admitindo erro na migração de dados das duas cidades. Mas as informações seguiram no painel de controle de casos da Secretaria da Saúde até o final da tarde de domingo.
Foi com surpresa que o prefeito de Lavras do Sul, Sávio Prestes, recebeu a informação dos supostos novos casos. Ele conta que estava em casa e começou a receber várias mensagens no WhatsApp questionando as informações. "Eu estava com o diretor do hospital naquele momento, coincidentemente. Então ligamos para o secretário de Saúde, que também não sabia de nenhuma confirmação, apenas dos seis suspeitos já descartados", relata.
Assim, buscou informações junto a representantes da saúde do Governo do Estado, que também não souberam informar o que havia acontecido. Pouco depois, chegou o posicionamento da 7ª CRS, sobre o equívoco na migração de dados no sistema. "Gerou um imenso pânico", recorda ele.
Com um quadro positivo, frente a outros municípios da região, como Bagé e Dom Pedrito, que já confirmaram vários casos, Lavras do Sul registrou apenas seis casos suspeitos e todos foram descartados. O prefeito ressalta, ainda, que há duas semanas não ingressa um paciente, para tratamento de saúde, com sintomas que poderiam ser creditados à covid-19. De qualquer forma, como o controle dos bons índices depende diretamente da manutenção dos protocolos de segurança, todas as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) são cumpridos à risca.
As primeiras medidas começaram a ser pensadas em janeiro, quando começou a organização e preparação, a nível brasileiro, para a chegada da pandemia ao país. Assim, as ações pensadas naquele momento começaram a ser implantadas em 17 de março, quando foi publicado o primeiro decreto em Lavras, seguindo dois protocolos básicos: uso de máscaras e higienização e orientações para a população evitar sair de casa. O preparo das estruturas e profissionais de saúde também é apontada como uma medida crucial no momento, assim como a ação de conscientização realizada pelo poder público através das redes sociais.
Os serviços também foram diminuídos, com fechamento de comércio e suspensão de aulas, mantendo apenas os serviços essenciais. "As medidas foram adotadas na hora certa, com a rigidez exata. Tivemos dois suspeitos na corrida, então assustou bastante as pessoas", recorda.
Com um aparente cenário de controle, o município já retomou algumas atividades, ainda que observadas com a segurança e rigidez necessárias ao momento. As academias foram liberadas para funcionamento no início deste mês, atendendo, no máximo, 30% da capacidade; os cultos religiosos foram autorizados com limite máximo de 10 pessoas,com espaçamento mínimo de dois metros; casas comerciais também abriram as portas, com ingresso limitado de clientes, controle de aglomeração e itens de segurança e higienização obrigatórios. Os restaurantes também voltaram a atender, com espaçamento entre as mesas, e sem self-service. Ou seja, o buffet com os pratos do dia está disponível, mas apenas um funcionário da empresa, trajando os itens de segurança exigidos, é autorizado a servir, de acordo com o gosto dos clientes.
A estrutura de atendimentos para possíveis casos mais brandos no município parte da Fundação Hospitalar Dr. Honor Teixeira da Costa, que conta com 30 leitos e área de isolamento, além de três respiradores. "Temos uma equipe preparada para lidar com a situação. Mas, em caso de insuficiência de recursos para manter estabilidade de eventuais pacientes, recorreremos ao protocolo, buscando essas condições em nossas referências", explica o chefe do Executivo.
Mesmo sem confirmados ou casos suspeitos, até o momento, no município, Prestes reafirma a importância de manter o controle rígido dos protocolos de segurança: "Não passou ainda (a pandemia). Apesar do otimismo, os números da curva são ascendentes, continuam crescendo. Bagé é um exemplo, porque foi o epicentro da pandemia na região e hoje tem total controle da situação", destaca ele, apontando as ações implantadas pela gestão municipal da Rainha da Fronteira como referência.
"A região está lutando porque sabemos que não passou ainda. Por isso, temos que manter a rigidez das norma de segurança e é importante que a população tenha o máximo de consciência", declara.
Cuidados constantes
Em Hulha Negra, município com pouco mais de seis mil habitantes, a notícia da confirmação de um caso de covid-19 também caiu como uma "bomba". Até então, o município havia registrado apenas um caso suspeito, logo descartado por se tratar de uma gripe viral. Inclusive, o paciente em suspeita chegou a ser submetido a um exame para detecção do vírus, mas foi negativado.
A proximidade da pandemia motivou o decreto municipal 2366/2020, em 17 de março, que determinou a suspensão das atividades da rede de ensino municipal, universidades, cursos diversos e biblioteca pública, além de dispor sobre suspensão de eventos com aglomeração de pessoas, instalação de dispenser de álcool em gel à 70%, em locais acessíveis e visíveis ao público, em todos os órgãos públicos e privados do município.
"Desde o início da pandemia, as ações de prevenção foram adotadas pela Prefeitura em parceria não só com a Secretária de Saúde, mas todas as pastas. A Administração acredita na prevenção como uma maneira eficiente de evitar a contaminação do vírus. E até agora tem dado certo, uma vez que o município não apresentou nenhum caso da covid", destacou a gestão municipal, através da assessoria de imprensa.
Evitando a "importação do vírus"
Cidade fronteiriça com o Uruguai, Aceguá normalmente é um local de passagem entre pessoas que transitam entre os dois países. Por isso, desde o início houve um controle intenso da fronteira, a fim de evitar a "importação ou exportação" do vírus.
Contudo, essa preocupação da gestão com a proximidade ao país vizinho não chegou a ser uma dor de cabeça para o poder público municipal. "Como somos uma fronteira seca, aberta, isso pode causar algum problema. Mas não há nenhum caso no departamento vizinho aqui de Aceguá, Cerro Largo. Na verdade, acredito que a preocupação deles com relação a nós é maior do que a nossa com relação a eles, pois se levarmos em conta os casos nos dois países, não dá nem para comparar", relata o vice-prefeito da cidade, Júlio Cesar Monteiro (Teda). Ele explica que, desde o início da pandemia, a gestão tomou medidas para evitar, ao máximo, a propagação do vírus. "Seguimos as orientações dos decretos estaduais, já editamos vários decretos, sempre atualizados com as novas deliberações que vão surgindo", aponta.
Durante a publicação das primeiras medidas, foram suspensos os comércios não-essenciais. Posteriormente, com o decreto do Estado que passou a restringir menos esse tipo de comércio, a cidade também foi afrouxando o cerco, mas mantendo restrições necessárias para garantir a segurança de funcionários e clientes, como controle de público, uso de máscara, controle do número de pessoas e horário especial.  
Para garantir o quadro de profissionais adequados para atender a demanda, a Prefeitura realizou um processo seletivo para contratação, se necessário, de mais pessoal da área da saúde. "Tomamos as medidas necessárias, no início mais rígidas e agora um pouco mais brandas, principalmente com relação ao comércio, sempre seguindo as orientações do Estado e temos até agora sido felizes com essas medidas", aponta.
Sem casos confirmados até o momento, apenas suspeitos já descartados, o município conta com estrutura adequada para atender uma demanda pequena de casos do vírus, caso seja necessário. No hospital da Colônia Nova, existem 11 leitos para tratamento de menos complexidade. "Fizemos um convênio com a Santa Casa de Bagé para utilização da CTI desse hospital, que é a instituição referência regional, para casos de maior complexidade", explica Teda. A Prefeitura de Aceguá garantiu, ainda, 250 testes rápidos, além dos 60 que receberam do Estado. Além disso, a Prefeitura montou uma equipe de fiscalização que faz o possível para orientar o cumprimento dos decretos, principalmente para evitar as aglomerações, especialmente nos finais de semana.
"Como as pessoas não estão 'sofrendo na pele', por não haver casos aqui, elas rejeitam um pouco as normas. Mas, em geral, a população está colaborando, a utilização de máscara na rua ainda não atinge os 100%, mas com o decorrer do tempo as pessoas vão se acostumando. Vivemos dias ímpares e temos que nos adequar a isso, para o bem e a saúde de todos, torcendo para que essa epidemia passe o mais breve possível e não nos atinja de modo mais severo", encerra.

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