ANO: 26 | Nº: 6525

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
21/05/2020 João L. Roschildt (Opinião)

Dicas preciosas

Nos últimos dias, um amigo me relatou sua decepção com as redes sociais no ambiente virtual. Nada de novo, afinal, ressalvadas as exceções, seria surpreendente imaginar que estes esgotos de comunicação poderiam produzir líquidos diferentes dos dejetos humanos. Mas a indignada tristeza dele tinha um motivo: como seus vídeos, produzidos com enorme dedicação e que transmitem um conteúdo de qualidade, não estavam obtendo muitas visualizações? Ora, se a época é de valorização da futilidade, da estupidez moral e da imaturidade afetiva é absolutamente justo que qualquer material que tenha a petulância de atacar tudo isso e busque edificar o indivíduo para uma vida com sentido, tende a naufragar feito um barco de papel: em silêncio e sem pompa alguma.

Sempre que acompanho as recomendações virtuais para essa ditadura da quarentena, não procuro perfis “limpinhos” que mostrem taças de vinhos acompanhadas de falsos sorrisos de boca aberta ou que recomendem livros que nunca leram com exercícios físicos bestializantes. Faço uma busca em perfis de subcelebridades que tenham algum potencial escatológico. Tanto os mais higienizados quanto os mais embostelados figuram com destaque no retrato de nossa época. Mas enquanto os primeiros são nauseantes de tão falsos, os segundos são cômicos de tão nauseantes. Assim, a minha curiosidade vence a racionalidade com o objetivo de preservá-la.

Geisy Arruda, aquela que foi hostilizada por “estudantes” em uma Universidade por conta de um vestido rosa extremamente curto há mais de 10 anos, hoje vive dos reflexos da fama repentina. Empresária, repórter, atriz, modelo fotográfica de revistas masculinas, dona de um canal no YouTube com mais de 100 mil inscritos e escritora. Sim! A mais surpreendente informação foi a última. No Instagram, ela possui mais de 2 milhões de seguidores. Juro por Deus que este número não me causou mais espanto do que ser escritora.

Há menos de uma semana, Geisy Arruda deixou um recado inspirador no seu Instagram. De camisola, o que denotou seriedade (ela sempre aparece de lingerie), a “escritora” disse: “A quarentena tá difícil pra todo mundo. Muitos divórcios, os solteiros estão estressados. Cuide de sua saúde mental nesses dias difíceis. Um pouco de prazer... ajuda”. Por onde começar? Pelo prazer ou pela saúde mental?

Já em entrevista ao portal UOL, instigada a comentar sobre o isolamento social durante a pandemia, ela declarou que “toda mulher e todo homem têm que se masturbar todo dia. É obrigatório, essencial, como beber água”. Imagine se ela inspira alguns prefeitos ou governadores quanto a decretos que obrigam os cidadãos a determinados comportamentos...

Por fim, em seu canal no YouTube, em um de seus vídeos ela disse que está “aproveitando a quarentena, ficar em casa pra escrever put****, que a gente gosta, né? [...] a gente gosta de fazer put****”. De acordo com ela, como não pode fazer, resta-lhe escrever.

Ao meu amigo, sugiro que faça “lives” contando de sua vida sexual (ou da ausência dela). Ou fale sobre o “nada” sem camisa e comendo uma salsicha, grave vídeos de lingerie mostrando como o novo coronavírus pode libertar alguém das amarras “heteronormativas” e caso seu pequeno ditador municipal obrigue-o a se masturbar diariamente para sua saúde mental, relate essa experiência no YouTube. Vai bombar!

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